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Música de outros ouvidos:


artes desconhecidas


Ouvidos que não estão acostumados a escutar música diferenciada, passam sem perceber artes singelas que rodeiam uma sociedade. Já os que ouvem, sabem sentir com simplicidade uma música tocada em qualquer lugar que seja.


……………………………Por Isabella Corrêa, Giulia Batelli e Jefferson Bispo


Dia quente, pessoas correndo, tempo acelerado, bombardeamento de informações, filas enormes, aglomerações humanas. Os dias estressantes semeados pelas obrigações do cotidiano e o tempo que se torna cada vez menor, colaboram para que as pessoas esqueçam o belo que há em volta. O poder do dinheiro e a busca pelo prestígio fazem das coisas supérfluas, necessárias, e das coisas necessárias, supérfluas. Uma televisão ou carro do ano se tornam mais importantes do que alguns minutos ouvindo alguém tocar ou cantar, mais importantes do que apreciar um quadro artístico.

Há quem diga que para se ter acesso a cultura é preciso ter dinheiro, um carro e tempo. Na correria, as pessoas esquecem a infinidade de coisas que podem se tornar arte diante dos olhos. Para desfrutar a cultura não é necessário ir a um teatro, cinema ou concerto. As diversas formas de arte estão inseridas no dia a dia de quem mora dentro de um ambiente social razoavelmente civilizado. A cultura não é algo que se pode separar da sociedade. Ela cria uma sociedade sensível aos sentidos.  “O artista é criador de coisas belas. Revelar a arte e encobrir o artista é a razão de ser da arte”, já dizia Oscar Wilde. Existe arte em tudo, desde que haja olhos suficientemente capazes de enxergar, independente de quem a faz.

Brasília é um bom exemplo de arte oculta que se revela. Um lugar onde milhares de pessoas andam apressadas sem olhar para os lados, preocupados com o horário, com os compromissos inadiáveis, o engarrafamento e o salário no fim do mês. Sem precisar sair dos ambientes rotineiros, é possível ter acesso a cultura apenas prestando atenção ao redor. Existem bons artistas divulgando seus trabalhos nas ruas da cidade, mas não são vistos. De manhã cedo ao pegar um ônibus, no caminho para o trabalho ou escola, indo a um hospital ou clínica. Voltar de um dia exaustivo ouvindo alguém tocar na estação do metrô ou na rodoviária. Assim é a tentativa de alguns músicos da capital: tentar fazer surgir novos ouvidos e olhares para suas artes.

Um motorista na voz e violão

"A música é tudo para mim", declara Duda. Para ele, não há nada mais gratificante do que tocar, já que representa a própria vida.

Um público amigo. No meio da música acenos e sorrisos. Luiz de Pietro Vieira (48) canta com a alma. Tanto sua aparência quanto a sua voz lembram a do cantor Lulu Santos. Demonstra tranquilidade e serenidade diante do microfone. Sabe o que está fazendo. Toca desde Tim Maia até Geraldo Azevedo. Faz no improviso o que pedirem e o faz com graça e vontade. Com a ajuda de um violão, teclado e alguns efeitos sonoros, ele realiza um show para si mesmo no bar em que toca. Sob mesas cheias de clientes, poucos são os que prestam atenção e, a música acaba sendo para ele próprio.

Pietro tem dois trabalhos. É motorista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e toca às sextas-feiras, por volta das 19 horas, no bar Varanda’s, na 713 Norte.

Duda, apelido de infância pelo qual é conhecido, estudou três anos de violão de seis cordas no Clube do Choro. Sempre viveu de música, porém nos últimos três anos passou a trabalhar no MMA.

Pietro foi estimulado a estudar música pela família e por amigos que tocam. O motorista já guarda na história a herança musical, sua mãe foi cantora de rádio e seu avô tocava violão erudito. Além de cantar, toca cavaquinho, teclado e violão. O músico já embalou as pessoas com música popular brasileira em alguns eventos do MMA. “A música me completa. É tudo para mim, o ar que eu respiro” declara.

Duda é divorciado e tem três filhos. A exemplo do pai, dois de seus três filhos são músicos. Apesar de terem começado há pouco tempo, os meninos tocam cavaquinho, violão e um deles toca percussão. Costumam se apresentar em clubes. Ao contrário do que se pode pensar, Pietro não pensa em montar uma banda com os filhos. Quer seguir carreira solo. Já compôs músicas e pretende lançar um CD feito em “fundo de quintal”, como brinca. Quando perguntado sobre divulgação de seu trabalho na internet, Duda afirmou não ter vontade de publicar suas músicas neste cyberespaço, dizendo que muita gente se aproveita, e que quer divulgar seu trabalho de boca em boca.

Assista a performance do artista aqui:

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Música para amenizar a dor

"Quando eu toco uma música que lembra algo, as pessoas se emocionam", diz Alan Cruz a respeito do seu trabalho como voluntário.

O baiano Alan Cruz (23) é um dos 13 músicos da empresa de laboratórios Sabin e voluntário do Hospital Universitário de Brasília (HUB) na 605 Norte, além de tocar na Igreja Nossa Senhora de Fátima na última terça-feira do mês.

A maior paixão sempre foi a música. Seus familiares, sendo a maioria do ramo musical, o incentivavam a seguir o mesmo destino, pois viam nele o talento herdado. “Sou música até morrer”, revela o cantor e violonista.

O trabalho no laboratório Sabin o fez perceber que nem sempre as pessoas param para perceber uma arte. Ele afirma que ao mesmo tempo em que algumas pessoas apreciam quando ele toca músicas, outras não recebem tão bem por estarem preocupadas. “Como músico nós temos o papel de tranquilizar, porque já foi provado cientificamente que a música ajuda nessa parte de amenizar a dor”, revela. Este projeto de música no Sabin já tem oito anos, dos quais faz parte há um ano e nove meses. O intérprete faz trabalhos voluntários, dedica uma hora do seu dia para tocar em hospitais. Ele acredita que tocar para os doentes é um ofício muito gratificante. Se sente realizado em poder mostrar a música como uma realidade mais bonita. “É mais gratificante para mim do que para eles”, confessa o baiano em relação ao trabalho que realiza como voluntário na ala de quimioterapia do hospital. Cruz diz fazer voluntariado desde a época em que fazia catequese quando precisavam de alguém para cantar na igreja.

Nascido em Livramento de Nossa Senhora, Alan Cruz começou a tocar aos dez anos de idade. Veio para Brasília em 2005 estudar música. Inicialmente, Brasília não estava em seus planos. Suas primeiras opções foram Rio de Janeiro e São Paulo. No final de Dezembro de 2004, lhe foi feito um convite para estudar na Capital, ao qual aceitou de prontidão. Ao chegar à cidade, percebeu que não conseguiria viver somente de música. Começou a trabalhar no STJ (Superior Tribunal da Justiça) como mensageiro, embora soubesse que não era isso o que queria realmente. Em 2008, Cruz ficou sabendo que estava sendo feitos testes com músicos no laboratório Sabin. Não hesitou e fez o teste, ao qual passou e pôde, enfim, deixar o emprego no STJ.

Assista a performance do artista aqui:

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Boa música nos ônibus

"Quando é dia de pagamento todo mundo compra. Ai quando não é, só dão um trocado, uma ajuda", revela Vctor Lozano fazendo graça sobre os CDs que vendem nos ônibus.

Victor Lozano sempre esteve em contato direto com o transporte coletivo na Bolívia, seu país de origem. Quando tinha 30 anos, trabalhou como motorista de ônibus conduzindo os passageiros aos seus destinos. Hoje, na faixa dos 45, ele ainda o faz, mas de maneira diferenciada. Em vez de dirigir o automóvel, conduz os ouvidos de cada pessoa que espera dentro do ônibus.

Sua estrada como “músico de ônibus” começou quando a empresa de coletivos em que trabalhava quebrou. Desde então, viu sua vida resumida a quase nada. Sem emprego e dinheiro, não imaginava que sua trajetória iria voltar para o mesmo ciclo de antes, exceto por um diferencial importante: não dirigia mais um  ônibus, mas embalava o som dos trajetos e fazia algo prazeroso sendo músico, embora, para ele, as duas funções o satisfaria de forma similar. “Acho que poderia ser as duas coisas. Ser motorista de manhã e depois trabalhar como músico”, afirmou o boliviano.

O som chama a todos com um ritmo regional muito envolvente. É levado por um sicus, espécie de flauta, típico andino, e um instrumento semelhante ao violão, denominado charango. Para acompanhar a música, o filho, Erick Lozano, toca um bombo. Cria-se um clima confortável e irreverente, despertando os sonolentos e chamando a atenção dos dispersos. Uma das músicas tocadas, tornerai tornero, típica canção italiana, foi recebida com emoção. “Isso que eles fazem é mágico”, afirmou uma das passageiras que acompanharam os músicos em um trajeto.

Victor Lozano começou a tocar em 1995 quando uns amigos o chamaram para ir a Argentina trabalhar com um grupo musical. Ao conhecer Assunção, capital do Paraguai, o convidaram para tocar no Brasil. Conheceu inúmeras cidades brasileiras até chegar a Brasília, onde vive há cinco anos. O músico pai de família também já tocou em diversos países da América latina como: Chile, Argentina, Equador, Colômbia, Paraguai, Peru e Brasil. Deixou esposa, quatro filhos e vários netos para trás em busca do sonho de seguir andando com a música. A família, no entanto, sempre o incentivou a não desistir. “Acham que aqui no Brasil um homem pode viver da música”, revela o filho dizendo o que os familiares pensam sobre o ramo musical no país. Os dois enfatizam, ainda, como Brasília é receptiva ao trabalho artístico que realizam. “É um povo muito hospitaleiro. Gosto bastante das pessoas, quando vêem que são de fora eles ajudam muito” diz Victor.

Assista a performance dos artistas aqui:

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Um rock diferente

"Eu sou movido à música e o tempo todo estou escutando um som", confessa o motorista mostrando a capa do seu primeiro CD.

Pop Rock gospel, esse é o som produzido por Maicon Figueredo (29), integrante da Banda gospel Hevron. O músico, além de trabalhar como motorista no Ministério do Meio Ambiente (MMA), realiza aos finais de semana, apresentações da banda religiosa tocando guitarra.

Seu interesse pela musica começou aos 13 anos, ouvindo grandes artistas do rock como Gun’s N Roses e Metállica. Seu pai o presenteou com sua primeira guitarra e, desde então seu interesse pela música foi crescendo cada vez mais. Maicon, como simplesmente prefere ser chamado, passou a ter aulas de música para dominar o instrumento e tocar pelas casas de shows.

A participação na banda Lady Jane deu inicio a carreira como guitarrista. A banda era voltada para o rock e já vinha conquistando um público cativo na década de 90 em Brasília. Cerca de três anos, a banda se desfez por haver desentendimentos entre os integrantes. “A gente optou por mudar o trabalho. Conciliar banda é um trabalho! É como se fosse um casamento, têm que se dar muito bem com as pessoas, e chegou um tempo que a galera já não estava se dando bem”, justifica o músico sobre o fim da antiga banda.

Já o ingresso na vertente religiosa da música, se deu por problemas com a bebida, que o fez passar por alguns constrangimentos. Maicon diz que bebia muito quando tocava em bares e casas de show. Estava cada vez mais perto de atingir o sucesso musical com sua banda e se sentir mais perto da fama, a ponto de esquecer o principal motivo por estar lá: a música. Ele não se via mais diante de si próprio, já não era o mesmo. Para sanar esse problema, percebeu que precisava de ajuda, e a encontrou na Igreja. “Eu tinha problemas com álcool. Foi o motivo de eu procurar a força maior, que é Deus, para que eu pudesse mudar minha vida”, confessa. Hoje ele é integrante da banda Hevron, grupo religioso que usa as músicas para pregar a palavra de Deus.

Como motorista e musico aos finais de semana, ele diz que apesar de ser corrido, é gratificante fazer o que ama. “O objetivo é chegar a viver com musica”, diz o músico, mostrando o primeiro CD gravado pela banda com o titulo Hevron – Filhos da Luz, que esta sendo produzido em São Paulo e terá seu lançamento no dia 30 de Novembro, na Avenida central do Novo Gama-DF.

Escute a performance da banda:

Contato:

Luiz de Pietro Vieira
telefone: (61) 33171032
.
Alan Cruz
Telefone: (61) 96085113
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Victor Lozano e Erik Lozano
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Maicon Figueredo Lima
Telefones: (61) 91589310 – (61) 36299432

Google images - Sem fonte oficial

Depois de tantos problemas a cerca das negociações para a 28º Feira do livro de Brasília, ela finalmente vai acontecer. Não se sabe se foi alguma coincidência, mas o governo esteve, mais uma vez, atrasando o sonho de um evento realmente digno para os moradores de Brasília e entorno. Com R$1,2 milhão entregue pelo governo aos organizadores, pouco se poderia fazer para que esse ano a Feira fosse diferente do que vinha acontecendo nos últimos anos. A proposta era realizar um projeto maior, com capacidade e alcance para mais pessoas. Seria um presente ao primeiro ano em que se comemora oficialmente a leitura no país (12 de outubro, agora dia nacional da leitura).

Para os ansiosos fãs da leitura, já não se cogitava mais a ideia para este ano. Passou agosto e nenhum sinal da divulgação do evento. Desde então, a Feira havia sido cancelada pelo menos três vezes. As dificuldades para se conseguir dinheiro suficiente foram tantas que o projeto já estava se tornando motivo de piada. O valor estimado era de R$ 3 milhões, mas a soma final não chegou nem a metade desse ideal. Além disso, o constrangimento de ter que cancelar e remarcar várias vezes com os artistas convidados, de levar e tirar a esperança de todos os envolvidos no processo (desde os próprios organizadores até a população, que já se acostumou com a tradição do evento,) fez com que muita gente se decepcionasse com um dos poucos apoios a leitura que temos na cidade.

Entre altos e baixos, mesmo assim, haverá a Feira do Livro este ano e está prevista para amanhã (20), com duração de nove dias, na área externa do Pátio Brasil Shopping. O homenageado da vez é o escritor Ziraldo, para aproveitar que o dia nacional da leitura passou a ser na mesma data em que se comemora o dia das crianças. A ideia é incentivar a leitura infantil e popularizar a comemoração da leitura nesse dia.

Além do escritor, também foi chamado o poeta Reynaldo Jardim e outros artistas como Chico César e Moraes Moreira para participação em debates com o público. E ainda, José Celso Martinez Corrêa e Plínio Mosca (que apresentará a peça A resistível ascensão de Arturo Ui), na série literatura e dramaturgia. O tradicional “Café literário” também receberá convidados e realizará lançamentos de livros e apresentações musicais e teatrais.

ABABPORUU

Abaporu (1928) - Tarcila do Amaral - Uma das obras mais características do movimento antropofágico, no qual Tarcila inova em técnica.

A antropofagia vem da ideia de canibalismo. Para alguns indígenas, o termo tem um significado místico em que, no ritual, come-se uma parte do corpo de outra pessoa para adquirir suas qualidades. Já no manifesto antropofágico, esse pensamento é usado como uma metáfora para o que os vanguardistas brasileiros da época queriam propor. Como em um “canibalismo cultural”, os brasileiros criariam sua própria identidade, a partir de uma adaptação das culturas estrangeiras (principalmente a européia) à realidade brasileira. Tem por base como uma estrutura de pensamento a tradição de adquirir alguma qualidade, como coragem e força do “ser comido”. O manifesto antropófago faz uma interpretação metafórica do canibalismo, sem o sentido pejorativo. Portanto eles dizem que devemos pegar as características positivas das outras culturas, estando com os olhos para o exterior ao mesmo tempo em que protesta por uma cultura própria. O trocadilho “Tupi, or not tupi that is the question” é muito interessante, porque satiriza a verdadeira questão (“ser ou não ser?”). Neste caso, eles fizeram uma comparação usando a língua estrangeira para indagar a própria cultura, a raiz do Brasil. O manifesto contrapõe o olhar cultural brasileiro para o exterior ao mesmo tempo em que protesta por uma cultura própria. Não se sabia aonde a sociedade estava indo com tanta influência nem o que isso significava, pois não seguia rumos próprios. Era preciso questionar o que estava sendo implantado ali.

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O homem amarelo II (1915) -Anita Malfatti

Para surgir uma nova cultura é preciso uma nova lei (“A única lei do mundo”). Assim, como numa sociedade comum, para começar um novo processo, uma nova decisão (de forma legal) é preciso aprovação de uma lei. A lei é a expressão regente do individualismo (o que o cidadão pode fazer), de todos os coletivismos (o que toda sociedade tem como regimento).

O movimento antropofágico deixou claro como a elite brasileira da época se submetia ao que era “de fora”, nem mesmo questionava se aquilo era mesmo o que devia ser feito, se aquela cultura não era errada por não ser “nativa”. Criava uma perspectiva superior ao externo e acreditava que “lá” estava o sublime. Dessa maneira, enquanto essa idealização do exterior acontecia, os vanguardistas tentavam discursar uma cultura que venerasse o que era brasileiro. Na semana de 22, muitas pessoas criticaram a atitude dos intelectuais vanguardistas, mas hoje, aplaudem a herança cultural que nos foi permitida. Aquela visão de cultura não era antes vista por nossa sociedade, já que era uma concepção, de certo modo, muito a frente da realidade vivida naquela época. Hoje é visível as mudanças que se pretendiam naquele tempo. Tem-se uma cultura enraizada, fixa e extremamente brasileira.

Por Isabella Corrêa, Sílvia Mendonça, Giulia Batelli e Jefferson Bispo

A Ella

Ella Fitzgerald & Count Basie 12

Uma das vozes mais consagradas do jazz, Ella Fitzgerald é conhecida pelas improvisações e contrastes entre timbres suaves e potentes, além de um carisma convidativo no palco.

Sem estudo musical algum, tentou ser dançarina, ainda jovem, nos concursos estadunidenses da época. Aprendeu na Igreja em que frequentava, os primeiros passos da música e descobriu um talento que barraria as paradas de sucesso. Aos 14 anos apenas, a mãe faleceu e, dessa forma, teve de ganhar a vida cantando e dançando nas ruas a troco de gorjetas. Por sorte, ao se apresentar em um show de calouros aos 16 anos, no Teatro Apollo (Nova York), provou que tinha potencial para a música. Pelo nervosismo, suas pernas não “puderam” mexer e ela preferiu cantar, mostrando que era isso (e não a dança ) que sabia fazer realmente. Embora houvesse muito preconceito por a considerarem “feia”, foi aplaudida e reconhecida como um verdadeiro talento musical.

ella_fitzgerald Chick Webb (bandleader, cantor e músico de jazz), ao vê-la cantar nas ruas, levou-a para fazer um teste. Não a aceitaram pelo mesmo motivo estético, mas no momento em que a jovem começou a cantar, o contrato foi garantido.

Em poucos anos se tornou a dama do Jazz. A voz suave e angelical encantava o público, ao mesmo tempo surpreendido por um timbre forte e cheio de presença.  Costumavam dizer que cantava como um músico. Além de ter um ótimo aparato para “imitar” instrumentos musicais. Ella sabia manejar o desenrolar de uma música e controlar sua potência. Sem contar, é claro, pela afinação impecável.

Sem questionar se ela foi ou não a verdadeira rainha do Jazz, teve, inegavelmente, uma carreira rica e brilhante, ao lado dos principais músicos jazzistas da época. Fez participações com Louis Armstrong, Duke Ellington, Oscar Peterson, Count Basie, Jerome Kern, George Gershwin, Cole Porter, Joe Pass e Tom Jobim.

Sua contribuição para o Jazz foi chegando ao fim com a diabetes, doença que levou a amputação das pernas, enfraquecimento da visão e, mais tarde, a morte. Ella Fitzgerald nasceu no dia 25 de Abril de 1917 e faleceu em 14 de Junho de 1996 deixando a sua música como uma bela lembrança.

Chick Webb (bandleader, cantor e músico de jazz), ao vê-la cantar nas ruas, levou-a para fazer um teste. Não a aceitaram pelo mesmo motivo estético, mas no momento em que a jovem começou a cantar, o contrato foi garantido.

Em poucos anos se tornou a dama do Jazz. A voz suave e angelical encantava o público, ao mesmo tempo surpreendido por um timbre forte e cheio de presença.  Costumavam dizer que cantava como um músico. Além de ter um ótimo aparato para “imitar” instrumentos musicais. Ella sabia manejar o desenrolar de uma música e controlar sua potência. Sem contar, é claro, pela afinação impecável.

Sem questionar se ela foi ou não a verdadeira rainha do Jazz, teve, inegavelmente, uma carreira rica e brilhante, ao lado dos principais músicos jazzistas da época. Fez participações com Louis Armstrong, Duke Ellington, Oscar Peterson, Count Basie,  , Jerome Kern, George Gershwin, Cole Porter, Joe Pass e Tom Jobim.

Sua contribuição para o Jazz foi chegando ao fim com a diabetes, doença que levou a amputação das pernas, enfraquecimento da visão e, mais tarde, a morte. Ella Fitzgerald nasceu no dia 25 de Abril de 1917 e faleceu em 14 de Junho de 1996 deixando a sua música como uma bela lembrança.

Sem fonte, infelizmente.

Sem fonte, infelizmente.

Assim afirma o Secretário da Cultura, Silvestre Gorgulho, sobre o boato que semeia Brasília em relação a Feira do Livro deste ano. Se o evento irá acontecer ou não, é uma questão que até agora está gerando suspense na população local. A Feira, já tradicional na cidade, está em sua 28ª edição  com estimativa de aproximadamente 700 mil leitores.

Sem local definido, os responsáveis pela realização do evento (além de Gorgulho, o secretário adjunto, Beto Sales e representantes da Câmara do Livro) se encontraram ontem para discutir o seu destino. “Estamos querendo uma área coberta e pode ser no Conjunto Nacional, foyer do Teatro Nacional e Biblioteca Nacional. Está tudo em volta da rodoviária, estação do metrô o que facilita para a popualação”, conclui Gorgulho.

Se no primeiro ano em que comemoramos, oficialmente, o dia nacional da leitura, não tiver a tradicional Feira do Livro na Capital do país, isso será, de certa forma, uma contradição ao sentimento de incentivo ascendido (aparentemente) ao público leitor. Se o Brasil lê mais, isso já é outra questão, mas uma coisa é certa: a tentativa de fazê-lo um país de pessoas não tão ignorantes assim (quanto a herança de um povo que não tem interesse pelo “culto”) não deve parar no meio do caminho. A visão de que nosso país não tem interesse cultural, deve ser esquecida, assim como nossos antepassados, que trouxeram essa “mania” de que ler não nos acrescenta em nada. As pessoas precisam cobrar das autoridades e entidades responsáveis, para que o evento seja lembrado e enriquecido a cada ano. “É um desafio para a Câmara do Livro, para a Secretaria de Cultura, para mim, pessoalmente, para a sociedade brasiliense, enfim, para Brasília”, confessa o secretário.

“Palavras mudam o mundo”, assim foi a proposta mantida pela 27ª edição do evento literário. E assim merecemos, ao menos, acreditar que pode ser realmente uma verdade.

Polanski é preso aos 76 anos

O cineasta, Roman Polanski, finalmente "julgado" pelo crime cometido anos atrás.

Acusado de embebedar e estuprar a atriz Samantha Gailey há 31 anos, quando ela tinha 13, o cienasta europeu Roman Polanski foi preso aos 76 anos  indiciado pelo crime.

Responsável por obras-primas do cinema como Repulsa ao sexo, O bebê de rosemary e O inquilino,  Roman Polanski entrou em um  roteiro que daria uma ótima história nas telas de cinema. O personagem principal, no entanto, era ele mesmo.

O caso, resolvido esta semana pela Justiça do estado da Califórnia, estava em aberto desde 1977. Nesse meio tempo, os advogados de Polanski tentaram diversas vezes conseguir o abandono das acusações, mas sempre fora recusado pelos juizes. O acusado chegou a entregar cerca de US$ 225 mil a Samantha para que ela encerrasse o processo civil, no entanto, isso não aconteceu e Polanski foi impedido de entrar em solo americano para evitar complicaões. Deixou de visitar o país, inclusive, para receber o Oscar pela direção de O pianista (2002).

Foi preso enquanto estava hospedado em um hotel em Zurique, onde iria receber um prêmio no festival de cinema local. Votos de nomes reconhecidos no cinema, como Woody Allen, Pedro Almodóvar e Martin Scorsese, foram levados a público pedindo que não prendessem o cineasta. Até mesmo a vítima se questionou sobre a necessidade do cumprimento da prisão de Polanski. “Muito tempo se passou para que ele seja preso agora”, revelou Samantha Gailey.

A polêmica surgiu e gerou discussão entre fãs e profissionais do cinema  e da justiça. “Não há por que não cumprir um mandado de prisão válido, contra qualquer um”, disse o porta-voz do Ministério da Justiça suíço, Guido Ballmer.

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Cinemas suíços exibirão documentário sobre o caso de Polanski

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u633557.shtml

Os sete abutres…

De forma chamativa, o pôster imita uma capa de jornal.

Lançado em 1951, o filme “A montanha dos sete abutres” (Ace in the hole), de Billy Wilder, ainda traz uma narrativa atual aos olhares jornalísticos. O filme não trouxe muitas expectativas às bilheterias da época, mas se tornou uma grande obra para o Jornalismo. Além de abordar as questões sensacionalistas dentro da imprensa, abre o debate para a ética no exercício da profissão.

A saga começa quando Charles Tatum (Kirk Douglas) entra para a redação de um pequeno jornal em Alburqueque (Novo México – EUA).  Por ser ambicioso e oportunista, o jornalista se sente cansado porque “nada” acontecia naquela cidade pacata. Um belo dia, ele e seu companheiro Herbie Cook (George Arthur) descobrem um furo de reportagem. Um homem preso dentro de uma montanha em ruínas. O local era um ponto turístico da cidade vizinha, conhecida pela habitação de índios. O incidente fez parecer (para alguns) que os espíritos indígenas estavam insatisfeitos com a visita do homem curioso à montanha dos sete abutres. A partir desse momento, Charles faz um pequeno acontecimento se tornar “bombástico” e histórico. As  suas atitudes se mostram inescrupulosas  a tal ponto de fazer com que a equipe de resgate prolongasse seus trabalhos de três dias para uma semana, a fim de aumentar o sensacionalismo do caso.

Charles acreditava fielmente que o real conhecimento do Jornalismo não podia ser ensinado dentro de uma sala de aula. A sua formação como jornalista fora feita ,na verdade, enquanto exercia a profissão e todo o seu aprendizado conquistado fora da faculdade.

“Um homem vale mais do que 84. Pega-se um jornal, lê-se sobre 84 ou 284 homens. Ou um milhão, como numa fome na China. Você lê, mas não fica contigo. Mas com um homem só é diferente. Você quer saber tudo sobre ele. Isso é a curiosidade humana”, assim acreditava Charles “Chuck” Tatum. O fato surgiu, mas ele fez a história acontecer. Manipulou cada detalhe para que tudo causasse comoção e curiosidade, para que aquela reportagem se tornasse a grande jogada e ele o grande repórter.

Até onde vai a capacidade de persuasão e manipulação de um profissional para obter auto-promoção barata? Onde fica a informação pura, sem segundas intenções? Mover moinhos por um único objetivo egoísta, sustentar mentiras, aumentar o grau das notícias, inventar e alienar o pensamento de uma população. Casos de assassinatos que perduram por semanas  na televisão, como acontece atualmente. Sequestros, roubos e mortes. A tragédia se tornando notícia banalizada, virando novela e caso para livro ou filme. Fatos como o do ônibus 174, Isabella Nardoni, Eloá, morte do Michael Jackson, etc etc, se tornaram populares e entraram nas casas brasileiras como símbolos de pena e compaixão. Isso não é realidade.

O filme de Billy Wilder é extremamente atual e nos faz pensar na atitude de alguns (ou vários) profissionais (não só jornalista necessariamente, porque o que tem de vigarista por aí!) que estão em atividade hoje. Esse longa é essencial  tanto para aqueles que desejam trabalhar na área como para aqueles que querem entender as questões éticas.

A dúvida que fica no final de tudo isso é saber quem são os reais abutres envolvidos no caso da montanha, e quem são os verdadeiros abutres do nosso jornalismo.

A minha intenção inicial era fazer uma resenha sobre o filme “A montanha dos 7 abrutes” (Ace in the hole) de Billy Wilder. No entanto, resolvi escrever uma reflexão a respeito do tema. Lançado em 1951, a narrativa ainda se mostra atual aos olhares jornalísticos. O filme não trouxe muitas expectativas às bilheterias da época, mas se tornou uma grande obra para o Jornalismo. Além de abordar as questões sensacionalistas dentro da imprensa, abre o debate para a ética no exercício da profissão.

A saga começa quando Charles Tatum (Kirk Douglas) entra para a redação de um pequeno jornal em Alburqueque (Novo México – EUA).  Por ser ambicioso e oportunista, o jornalista sempre se sentiu cansado porque “nada” acontecia naquela cidade pacata. Um belo dia, ele e seu companheiro descobrem um furo de reportagem. Um homem preso dentro de uma montanha prestes a desmoronar. O local era um ponto turístico da cidade vizinha, conhecida pela habitação de índios. O incidente fez parecer (para alguns) que os espíritos indígenas estavam insatisfeitos com a visita do homem curioso à montanha dos sete abutres. A partir desse momento, Charles fez um pequeno acontecimento se tornar “bombástico” e histórico.

Divulgação

Divulgação

Barton Fink não é necessariamente uma comédia, drama ou suspense. Pode-se dizer que tem certo ar de humor negro, ironia (bem dosado, ou não) e construções dialógicas interessantes. O jogo de palavras traduz tudo que o filme quer passar, principalmente para aqueles que acharem as cenas meio “bizarras” ou “insanas” a primeira vista. Dirigido pelos Irmãos Coen (oficialmente por Joel Coen), foi lançado em 1991.

Delírios de Hollywood, assim intitulado em português, conta a história de Barton Fink (John Turturro), um jovem roteirista de teatro, aclamado pela crítica por suas peças em Nova York. Com o sucesso, surge a proposta  de escrever roteiros cinematográficos em Hollywood. Contrariamente a sua estética literária, é exigido que escreva um filme lado B de luta livre. Ele se hospeda em um hotel de segunda categoria (mostrando ironicamente o estereótipo do “grande escritor” que sofre para escrever) a fim de um isolamento propício para trabalhar com tranquilidade. No entanto, Barton passa a sofrer um bloqueio criativo e não consegue evoluir dentro de sua história. Para piorar a situação, o escriba conhece o vendedor de seguros, Charlie Meadows (John Goodman), seu vizinho de porta. Os dois travam uma relação amigável, mas aquilo que parecia ser uma bela amizade se torna em um pesadelo para Barton.

Está claro que o filme satiriza as produções Hollywoodianas e os arquétipos ideais, como o próprio personagem central. Um escritor jovem, intelectual ambicioso, que pensa ser um real criador, mas com problemas dentro de um sistema social. No entanto, o longa demonstra diversas mensagens e sinais subliminares que remetem ao entendimento do que se trata a narrativa.

O ano em que se passa o longa (1941) foi o mesmo do lançamento de “cidadão Kane”, outro fator pensado pelos diretores para ironizar o sentimento de Barton. Ele acreditava que seria o que “Orson Welles” foi para o cinema. O filme que foi pedido a ele, era direcionado a massa. Filmes com pouca história, mas com cenas abusivas, para entreter. Era nisso que ele apostava no teatro e não conseguiu fazer no cinema. O seu roteiro não terminou com lutas físicas, mas com lutas simbólicas e subjetivas, interiorizadas ao homem comum. O que ele escreveu mostrou que ele não conseguia entender o esqueleto de uma história pronta, fácil, com modelos já determinados, para o cidadão comum.

Choro pro Zé!

Para quem gosta de Choro e não resiste a um solo de Sax, aí vai uma opção belíssima. Choro pro Zé é uma canção dedicada ao sax, feita pela parceria do compositor Aldir Blanc e o violonista Guinga. A união trouxe uma combinação perfeita de letra e arranjo sensacionais, sem contar o solo. Com voz de Lucia Helena, baixo acústico de Nico Assumpção, teclados de Paulo Malaguti e Sax de Zé Nogueira e Paulo Sergio Santos. Aprecie!

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Ai, por que choras, sax, tanto assim?
Conta pra mim o que te faz sofrer
Sou teu amigo, fiz por merecer:
Sempre junto a ti
Sou o coração que faz você viver
Ai, por que choras, sax, tanto assim?
Não há motivo pra se arrepender
Confia em mim
Que em minha vida
Alegrias, horas tristes e vazias
Passo com você
A emoção que seduz
Solando um choro ou um blues
Me faz lembrar de outras noites muito azuis
Ouvindo o sax murmurar
Num baile ao luar
Frases pra sofisticada lady
Existe um sax em mim
Chorando baixinho assim
E é tão bonito uma lágrima cantar…
Um saxofone num bar
Me faz respirar
Sempre que o amor
Provocar em mim falta de ar

Aldir Blanc/Guinga

“Boa música” para relaxar

Chega uma hora que tudo o que a gente quer é sentar e ouvir uma boa música. Só pensar na vida e, esquecer dela ao mesmo tempo. Deixar de lado os problemas e as obrigações. Mas também, pensar sobre como as coisas vão passando, ou como tudo está ultimamente. Nessas horas, a gente não quer telefonemas, nem visitas, muito menos sair de casa. Tudo o que se quer é ficar quieto no próprio canto, ouvindo “aquela” música.

Nada melhor do que escutar um jazz tranquilo e relaxar. Por isso, vai aqui uma versão “delicadíssima” de In a sentimental mood com John Coltrane e Duke Ellington. Aprecie!

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