Feeds:
Artigos
Comentários

Cidadão ativo

Votenaweb facilita o acesso dos eleitores às leis e  Eulembro garante recordação sobre eleitos

Montagem retirada a partir das imagens fornecidas pelo site Votenaweb

Desde o aumento do acesso à internet no Brasil, o meio digital se tornou um caminho para fiscalizar a política e torná-la mais democrática, aproximando os cidadãos às decisões do Congresso Nacional e colaborando para uma nação mais crítica. Os portais Votenaweb e Eulembro levam o conhecimento simplificado de projetos de leis que estão em trâmite aos 16 mil brasileiros cadastrados e filtram as ações de cada político dentro das redes sociais.

 Criadas em 2009 por Fernando Barreto, as duas iniciativas fazem parte do projeto Webcitizen, que visa remover o hiato existente entre o cidadão e a política, além de despertar o sentimento de cobrança e vigia. “O que estamos procurando é aproveitar esse potencial da internet, essa horizontalidade, a abundância de informação, para construir pontes que transformem essa relação (político e cidadão) profundamente”, justifica.

Para o fundador, políticos deveriam ser parceiros do cidadão, além de ter as mesmas obrigações, compromissos e sonhos para construir o presente e o futuro da sociedade. A partir disso, ele uniu propostas para ampliar a participação da população, aproveitando o crescimento da web 2.0 (internet “participativa”, ex: redes sociais e wikipédia). As principais funções dos portais consistem em traduzir códigos políticos e acompanhar a ação dos representantes. “O Votenaweb surgiu de um problema que é a falta de transparência”, diz ele. “O objetivo do Eulembro é ajudar o cidadão a ter uma ‘memória de elefante’ para que se lembre de quem votou e acompanhe a atuação de seus candidatos”, complementa.

É possível ter acesso aos projetos de leis nos portais digitais de cada órgão do governo, mas isso acontece de forma pouco instrutiva e de difícil acesso. “Quando o cidadão encontra um projeto, o problema fica ainda maior, pois ele está escrito em ‘congressês’”, relata, sobre a linguagem complicada e os termos técnicos. Com o Votenaweb, a dificuldade diminui. “Temos uma equipe especializada que cuida da tradução dos projetos e resume em poucas linhas a essência deles”, informa. “Os assuntos políticos não podem ser vistos como burocráticos, solenes, já que eles fazem parte de  todo o nosso cotidiano”, defende Barreto.

No site, quando os projetos de leis são publicados, cada pessoa cadastrada pode votar simbolicamente a favor ou contra. Esse formato permite ao portal estabelecer um mapa da vontade do cidadão em relação à vontade do político de ver suas ideias aprovadas.

Nos dois portais o internauta tem o poder de ficar mais perto dos governantes. Além de poder comentar, eles podem enviar mensagens aos parlamentares que criaram projetos no Votenaweb e ver o que é realizado por eles no Eulembro. “A consequência dessa proximidade é o sentimento de pertencer àquela história e, por sua vez, de se comprometer, atuar e participar”, declara Barreto.

O Votenaweb conta com mais de 50% de público jovem e mais de 310 mil votos desde que entrou no ar. Para Barreto, esses valores são uma agradável surpresa e que vieram em pouco tempo. “É por isso que acreditamos que projetos como esse não são apenas um reflexo de como as pessoas vêem a política brasileira, eles são um espaço para transformar essa visão”, observa. O estudante de relações internacionais Reinaldo Alencar, de 21 anos, cadastrado no endereço desde o ano passado, concorda. “É uma forma não-filtrada de se ter acesso ao que acontece no governo. É mais ou menos o que diz no portal: ‘Vote e seja ouvido’”.

O jornalista americano Larry Rohter, no livro Deu no New York Times, afirma que ainda não há o peso do clamor da opinião pública sobre fatos que acontecem na política brasileira. Critica o fato de não existir memória nos eleitores e de ser ter como normal a expressão “a lei não pegou” na cultura do Brasil. A equipe de Barreto sugere, por meio dos portais, uma solução para esse problema. A ideia é que se cada cidadão souber o que os governantes fazem e entender o que acontece na política, haverá mais participação e, assim, mais conhecimento para julgar sobre leis que não “pegam”.

Barreto critica o fato de haver na política brasileira o conformismo sobre como a política gera benefícios ao cidadão. “A nossa cultura vê o governo como uma “vending machine” (máquina de venda de produtos). As pessoas colocam uma moedinha na máquina, que são os impostos, e devem receber serviços, como escola, hospitais, etc”, contesta. A proposta do idealizador também visa mudar essa maneira de pensar. “Queremos ver projetos realizados em parceria, coletivos e colaborativos. Uma divisão de responsabilidades  e consequentemente de realizações que não seja vertical”, completa sobre a importância da participação do cidadão na vida pública.

O estudante acredita que esse tipo de iniciativa pode gerar, ainda, outras soluções. “Ajuda a descentralizar a função de vigilância que é exercida pela mídia, que também possuí vínculos políticos”, diz. “Creio que ainda não se chegou ao ponto do site ser um instrumento de pressão política. Porém, ele tem essa potencialidade. O site simula o que seria uma democracia direta em tempos de internet”, completa.

Os sites podem ser acessados por meio dos endereços www.votenaweb.com.br e www.eulembro.com.br

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília no dia 14 de janeiro


A internet hoje leva ao mundo inteiro o conceito que um dia o sociólogo canadense Marshall McLuhan chamou de Aldeia Global. Um lugar onde não haveria distância entre uma pessoa e outra, mesmo se morassem em lugares distantes: abraçar o planeta seria algo plenamente possível com apenas um clique no mouse.

Para a segunda leva de apresentações do projeto Sai da Rede, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de hoje a domingo, novos artistas da geração online marcam presença: a banda paraibana Burro Morto, a cantora pernambucana Lulina e o grupo paulistano Coletivo Instituto.

“A gente conseguiu o primeiro contato para sair da Paraíba através da internet, pelo Myspace. Acho que 90% dos nossos contatos de shows e de conhecimento artístico vieram por meio dela. Como artista, não tem como não pensar nessa ferramenta que está mudando a maneira de se trabalhar em banda, e é o que está fazendo essa revolução de uma nova visão cultural”, conta Daniel Ennes Jesi, contrabaixista da banda Burro Morto.

Lulina concorda e reforça que sem a ajuda da web jamais poderia ter impulsionado a carreira artística. “Devo tudo a internet. Se não fossem as pessoas comentando ‘Lu, gostei muito do seu trabalho’ eu nunca teria me sentido animada para continuar. Sem ela, acho que até hoje estaria divulgando meu trabalho só para os meus amigos”.

Daniel Takara, produtor musical e um dos criadores do Coletivo Instituto vê a rede como responsável pelo surgimento da nova geração e facilitadora do processo de se fazer música atualmente. “A internet foi um divisor de águas muito grande. A cena independente conseguiu se profissionalizar muito. Divulgo meu trabalho porque ela passou a ter uma força enorme no que eu faço”, diz.

O primeiro show, comandado pelo Burro Morto, leva o afrobeat, a psicodelia e o rock como embalo para o som que faz. “A gente é muito calcado pelo afrobeat porque o nordeste tem uma coisa muito peculiar da dança, pela maneira que se respira, que se fala; as coisas aqui são muito cantadas. E o natural da fala, da dança, soa muito natural com o afrobeat, mas a gente também tem outras influências como o rock progressivo”.

A pernambucana, que se apresenta amanhã, no entanto, busca inspiração nas pequenas coisas do dia a dia, no ídolo Tom Zé, no indie rock e no que ela diz ser “aquela mistureba toda”. “Me inspiro na vida real-imaginária que eu vivo. Muita gente fala que uso metáfora, uso minhoca para falar da morte, por exemplo. Às vezes descrevo o cotidiano num formato diferente, apenas mascarado, mas as coisas por trás são cotidiano”. A tal “mistureba” forma um gênero bem “lulinístico” de ser e se transforma em sua “canção popular melodramática”, cheia de referências, ironias e contemporaneidades.

No domingo, o Coletivo fecha o segundo final de semana de atrações. A partir de um apanhado de estilos, une hip hop à eletrônica e ao jazz. O resultado disso não poderia ser descrito de outra forma: “O que mais nos influencia é a música de qualidade”, revela Takara. O grupo, que geralmente leva convidados para acompanhá-lo nos palcos, terá Kamau, Emicida e Funk Buia no encontro do CCBB. “A gente trabalha muito com artistas que têm seu trabalho solo e  que falam muito do cotidiano. A nossa influência tem base em expressões”, define.

O projeto Sai da Rede começou na semana passada com a ideia de propagar a voz de artistas que usam a web como principal ferramenta, mas que não são tão conhecidos pelo grande público.

Os três primeiros dias do evento confirmaram que a internet, de fato, reduz as barreiras entre as pessoas e serve como boa divulgadora de novos talentos. Cerca de 360 pessoas ocuparam os quatro cantos do Teatro I durante os três dias de shows, ao som de Lucas Santtana, Tiê e Isaar. Ainda que com cadeiras extras, o espaço não foi suficiente para os apreciadores da música independente, sendo necessário colocar um telão do lado de fora para reproduzir os shows aos que não conseguiram ingresso.

Na próxima semana, se apresentam Letuce, Tulipa Ruiz e João Brasil.

O texto também pode ser visualizado pelo link: http://www.clicabrasilia.com.br/site/noticia.php?id=320208&secao=V

Por Isabella Corrêa e Sílvia Mendonça

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília no dia  20 de novembro de 2010

 

Entre os livros da série Harry Potter, roupas personalizadas, buttons de personagens e muita disposição, dezenas de fãs mal se agüentavam de tanta expectativa no hall do cinema Pier 21. A pré-estreia da primeira parte do último filme da saga, Harry Potter e As Relíquias da Morte, estava previsto para começar exatamente às 23h55 min da noite de quinta-feira.

Tatiana Casanova, 15 anos, as irmãs Joana, 15 anos, e Luíza Lapa, 20 anos, e João Paulo Azevedo, 15 anos, conseguiram ser os primeiros da fila, que se arrastava até a praça de alimentação. A sensação de viver mais do que nunca a história de Harry Potter, sentir que se faz parte de toda a trajetória e de acompanhar uma das criações literárias juvenis mais bem sucedidas dos últimos tempos emociona os fãs. “Esse é o momento, esse é o melhor momento”, comenta Joana. “Vai ser o melhor, apenas”, reforça.

 

Foto: Isabella Corrêa

Quando a primeiro volume da saga chegou às livrarias, em 1997, pouco se imaginava que o sucesso estrondoso se estenderia até o ano de 2010, em que convenções de milhares de crianças, adolescentes e até adultos esperam horas em uma fila para pegar o melhor lugar na sala de cinema e não perder nem um minuto da emoção de assistir ao filme. “Estamos planejando esse dia há muito tempo, desde a estreia do livro. É uma expectativa gigante. A gente chegou às 13h, não tinha ninguém. Daí falamos: ‘Ah, somos os únicos’, mas agora nós somos os primeiros, a fila vai até a escada. É uma prova que a gente ama muito”, conta com entusiasmo Tatiana. “Estou com muita expectativa. A gente veio da escola, estou horrível, mas nem me importo mais, só quero ver o filme porque se não eu morro”, desabafa João Paulo, sem desanimar.

A adolescente começou a publicar em uma de suas páginas pessoais na internet a contagem regressiva para o lançamento do filme desde que tomou conhecimento da data de estreia no Brasil. A jovem publicava notícias, vídeos e qualquer informação adicional que saísse na mídia. “Como que está minha expectativa? Eu estou morrendo! Falta uma hora e eu estou esperando por esse dia há 365 dias. Estou morrendo, estou ótima”, conta, em êxtase.

Para muitos, o fascínio pela série de livros não passa de brincadeira ou fase, mas “o caso” é bem mais sério do que se pensa. “Vou para a premier em Londres da segunda parte do último filme, estou juntando dinheiro. Eu já falei para a minha mãe: ‘Não me dá presente de natal, eu quero dinheiro; coloca na poupança’”, confessa Tatiana. A fã assumida conta que quando revelou a mãe o seu plano para ser a primeira da fila, ela lhe sugeriu algo nada comum. “Eu disse a ela: ‘Olha, eu vou às 13h para a pré-estreia, tá?’ Mas quando eu falei que a sessão começava meia-noite, ela perguntou: ‘Você não quer o telefone da psicóloga, minha filha?’”.

Nem mesmo o atraso da sessão – muitas pessoas guardaram lugares para outras que ainda não estavam na sala, gerando confusão entre os presentes – desanimou o grupo de fãs que esperava desesperado pelo início da sessão. A cada minuto ouvia-se “faltam dez minutos” e, quando a tradicional música de início dos filmes começou, gritos intermináveis irradiaram os quatro cantos da sala.

Mesmo depois de tanta euforia, após os sete livros lançados e sem a perspectiva de novos por vir, as adolescentes se mostram preocupadas com o fim da saga cinematográfica: “Eu vou sentir um vazio, eu não sei o que vou fazer quando sair da sala de cinema. Vou estar feliz por estar assistindo, mas vou estar triste porque vai ter acabado. Não vai ter mais a expectativa das pré-estreias. Eu sei que é o fim de uma saga e o início de uma lenda, só que vou sentir falta”, desabafa Tatiana.

Quando o filme terminou, somente ela e os amigos estavam na sala. Com orgulho afirmavam: “Fomos os primeiros a entrar e os últimos a sair”. “Estou com o cheiro da pré-estreia, não quero sair daqui”, repetia a jovem. Sem hesitação, ela gritava: “passa de novo!”. As considerações finais não poderiam ser diferentes de quem esperava algo mágico dos filmes. “Superou muito as nossas expectativas, foi tudo perfeito”.

Ainda aos seis anos de idade, Tatiana foi introduzida às aventuras do bruxo Harry Potter pela irmã mais velha. “Minha irmã começou a ler e a noite eu pedia para que ela lesse para mim também, só que ela encheu o saco e não queria mais. Eu aprendi a ler por causa de Harry, comecei a ler aí, era muito devagar, mas eu conseguia ler todos”, lembra a estudante.

Com Joana a história não foi muito diferente. “Eu comecei a ver os filmes com seis e a ler com nove”, conta a adolescente, também influenciada pelo entusiasmo e interesse vindos de outra pessoa da família. “A irmã dela ensinou pra ela que Harry Potter faz bem para a alma”, brinca Luíza.

“Eu vi o filme antes de ler, gostei bastante, mas não era viciada. Eu fiquei apaixonada mesmo quando comecei a ler”, conta Luíza. “Eu não conseguia deixar de divulgar para todo mundo, então eu divulguei para minha irmã. Eu ficava insistindo para ela ler, falava: ‘Lê, pelo amor de Deus, é a melhor coisa do mundo’, e ela ficava: ‘Não, mas é grande’, e eu falando para ela ler porque iria amar. Mostrei para os amigos dela, todas as amigas da minha irmã são viciadas porque eu as obriguei a lerem, e hoje elas adoram”, completa.

O texto também pode ser visualizado pelo link:  http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?id=310440&secao=V

O mito do diálogo possível

A jornalista Cremilda de Araújo Medina, em seu livro “Entrevista: o diálogo possível”, traça um raciocínio prático de como a entrevista jornalística pode ser aprimorada com fatores subjetivos entre o repórter e o entrevistado. Dentre esses fatores, está a ideia de que a personalidade do entrevistador é uma técnica essencial para alcançar ganhos no diálogo. Dizer que a personalidade do jornalista deve estar contida na entrevista é arriscar dizer que a sua atitude pode estar isenta de princípios básicos como imparcialidade e objetividade.

Medina vai além, e afirma que o bom repórter é criador e consegue desenvolver uma obra de arte social a partir da interação com seu entrevistado, possibilitando as percepções de ambos. No entanto, a questão que deve ser levantada é: o que vem a ser essencial? O jornalismo que preza a informação objetiva e imparcial ou aquele que visa o interpretativo e subjetivo? A autora responde que a “total objetividade” é uma ingenuidade e defende que “é preciso usar nosso traço humano”, citando Edgar Morin para explicar que quando o homem criou a consciência da morte, eliminou a ideia do “puro ser objetivo” como uma defesa à própria morte. Com a construção do mundo subjetivo, a autora afirma que torna impossível a “total objetividade”. Ingenuidade, então, não seria acreditar que a o envolvimento do repórter com o entrevistado poderia gerar uma matéria genuinamente parcial? Pelo menos, a tentativa de um texto informativo traz comprometimento com o público, e não com a fonte.

.

Esse texto foi um trabalho de faculdade em que a professora exigiu uma crítica negativa. Na verdade, eu gostei bastante da ideia proposta pela autora. Mas não poderia deixar de concordar que existe certas linhas possíveis à reflexão. A lição que tive é que nada pode ser totalmente positivo, assim como nada pode ser totalmente negativo. Não se pode concordar com tudo, ao mesmo tempo que não se pode discordar também.

Qual a influência da televisão?

Google imagens

11 de agosto. Dia de Santa Clara.  Dia da televisão.

Santa Clara, um ano antes de sua morte, teve uma visão do invento que, séculos depois, mudaria a história do mundo. O que se conta é que a senhora, por estar muito doente, não pôde comparecer à celebração de natal naquele ano (1252). Quando suas irmãs do convento retornaram, Santa Clara lhes contou todos os detalhes da festa natalina e afirmou que a visão ocorrera como se tivesse sido intermediada por um televisor. Se foi uma previsão daquilo que faria hoje a maioria dos cidadãos “escravos” das telas, bem, não se sabe. Mas uma coisa é certa: desde aqueles tempos já se previa o surgimento de algo poderoso que pudesse ser visto por todas as pessoas do mundo. Santa Clara, ao se deparar com a revelação, quis que o invento tivesse a proteção divina e o uso adequado. Assim, acabou tornando-se a padroeira da televisão.

Certamente a história desse “aparelho mágico” é bem mais complexa. Porém, o mais importante no dia de hoje é levantar questionamentos sobre como e por que a televisão é tão aclamada e criticada ao mesmo tempo. Muitas pessoas defendem seus pontos sobre os efeitos positivos e negativos. Há, ainda, aqueles que acreditam que ela pode ser tão boa quanto ruim, como qualquer outro meio. Mas afinal, qual o efeito da televisão na população? O que ela significa para as pessoas? Bem, diversos comunicólogos já tentaram desvendar. As respostas encontradas com o passar dos anos foram variadas. Cabe a nós, então, escolher no que queremos acreditar.

“A televisão, para mim, é o meio mais comum e, provavelmente, o mais utilizado para difundir a informação, além de ser um ótimo instrumento de entreterimento”, define o estudante de química, Elder Taciano Romão (20), que ressalta ser uma boa ferramenta para estender conhecimentos a respeito de assuntos do seu interesse. “Ensina de acordo com a programação escolhida pelo telespectador. No meu caso, o que mais aprendo são assuntos relacionados com ciência, saúde e política”, diz.

Algumas pessoas dizem que a televisão exerce o seu papel na sociedade, ajudando, por exemplo, a reforçar condutas em crianças e jovens. “Para mim, foi importante na infância. Assistia muitos desenhos. Aprendi muitas coisas que ajudaram na formação da minha personalidade, como distinguir o certo e o errado”, afirma Yuri Concentino (20), estudante de publicidade e propaganda. “Na história, aprendemos que o Skeleton estava tentando procurar o caminho mais fácil para conseguir as coisas porque sabemos hoje que o melhor caminho e mais honesto é sempre aquele bem pensado, onde procuramos fazer o certo em vez do fácil”, ressalta Yuri sobre um dos personagens do desenho He-man, que costumava assistir na infância.

Embora muitos pais sejam preocupados com a exposição de seus filhos a programações inadequadas, ou a exposição exagerada mesmo em programas direcionados ao público, a funcionária pública Léa Nascimento (51) afirma que a televisão ajudou seus filhos em determinadas situações durante a infância. “Nunca fui muito presente. Sempre trabalhei fora enquanto meus filhos ficavam em casa. Sempre incentivei a cultura dentro de casa e, a televisão, querendo ou não, ajudou um pouco nessa parte” confessa a funcionária.

Para a estudante de jornalismo, Lidyane Barros (19), a televisão sempre foi um vício, porém, um vício saudável que exerce uma função maior do que a própria informação. “O bom da televisão é que ela une a minha família. É o mais importante. ”, afirma.

.

E para concluir, ai vai um vídeo do músico Caetano Veloso que um antigo professor de sociologia passou em sala. O nome da música? “Santa Clara, padroeira da televisão”!!

.

Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diatelevisao.html

Palavras que movem tudo

Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

Mário Quintana


Talvez esse não seja um bom título para comemorar o dia do escritor. No entanto, a mensagem que quero passar nessa data não é necessariamente sobre quem escreve, mas sobre elas: as palavras. Algumas pessoas conseguem transmitir a mensagem de uma forma tão especial que nos faz sentir coisas subitamente. Às vezes estamos alegres e, em um breve instante, quando nossos olhos passam a compreender os significados de determinadas palavras, passamos a estar tristes. Àquele que consegue escrever usando as palavras certas nos momentos certos, mesmo sem saber os sentimentos certos que devem sentir os leitores, realmente é digno de homenagem.

Falar sobre escritores é falar sobre tudo. Sobre a história do mundo e do homem. Tentar entendê-los é tentar entender os sentimentos. Quantos homens já não falaram sobre suas experiências amorosas, criminosas ou sexuais? Quantos homens já não mostraram seu desejo pela vida, pelo belo, pela morte ou pelo feio? Inúmeros escritores já nos avisaram sobre as dores do amor. Mesmo assim, é quando eles escrevem que nos dá mais vontade de experimentar as sensações de amar, de comprovar ou ir contra suas opiniões.

Os escritores têm o dom de transformar nossa realidade e direcioná-la para uma dimensão externa, mágica e inexplicável. Saímos daquilo que somos e deixamos entrar uma história que não é a nossa, mas que nos identificamos intensamente. Que poder é esse que nos permite parar de existir por algumas horas até que a história acabe? Podemos viver dentro daquelas palavras por algum tempo. Nada lá “fora” nos faz voltar ao que éramos antes. Cada palavra gera em nós uma pequena metamorfose. Ficamos mais harmoniosos conosco, mais compreensíveis, e muito mais humanos. Por isso é possível afirmar que não existem teorias que expliquem ou descrevam o que é um bom escritor. Afinal, como diria o escritor irlandês Oscar Wilde, “definir é limitar”.

.

Me sinto uma pessoa melhor cada vez que leio livros maravilhosos, de pessoas maravilhosas. Fico me questionando como é possível tanta beleza e profundidade reunida em palavras, palavras que movem tudo.

Repensando a comunicação

Agora, no blog, resolvi colocar textos sobre comunicação com o intuito de instigar a reflexão a respeito desse tema. Assuntos que envolvam mídia, modernidade e sociedade também estarão relacionados. Por isso, decidi postar um que li hoje  sobre Marshall McLuhan:

McLuhan assombra o Rei

Nicolau Sevcenko, especial para a Folha (1997)

………………..Só a mão que apaga pode escrever a coisa certa.” O ditado certeiro é de Mestre Eckhardt, místico e visionário medieval. Ele é uma das fontes inspiradoras dessa outra fonte inesgotável de visões, o não menos célebre professor Marshall McLuhan. Ele foi também um mestre em matérias impalpáveis. Uma das suas conclusões mais perturbadoras é justamente sobre esse tema. “Em experimentos nos quais todas as sensações externas são bloqueadas, o paciente desencadeia um furioso processo de preenchimento ou substituição dos sentidos, que é a alucinação em forma pura. Do mesmo modo, a excitação de um único sentido tende a provocar um efeito de hipnose, equivalente à maneira como a privação de todos os sentidos tende a produzir visões.”
………………..Seria curioso se não fosse incômodo. Afinal, o paciente a que se refere o venerando professor não é um psicótico internado em algum asilo de alienados, mas uma pessoa como eu ou você, considerada em condições tão prosaicas como assistindo televisão ou lendo jornal. Desagradável, não? Mas tem mais. Ele afirmava que a dimensão invisível era a mais relevante para a percepção e compreensão das coisas. E nisso se baseava em outro mestre eminente, Lao-Tsé. “Trinta radiais se tornam um graças aos buracos no centro de uma roda e, graças ao vazio que há entre eles, ela pode rolar. A possibilidade de se usar argila para moldar vasos se deve ao oco da sua ausência. As portas e janelas, numa casa, são úteis pelo vão que abrem. Assim, só o que não é nos permite dispor do que é.” Continuar a ler »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.