A jornalista Cremilda de Araújo Medina, em seu livro “Entrevista: o diálogo possível”, traça um raciocínio prático de como a entrevista jornalística pode ser aprimorada com fatores subjetivos entre o repórter e o entrevistado. Dentre esses fatores, está a ideia de que a personalidade do entrevistador é uma técnica essencial para alcançar ganhos no diálogo. Dizer que a personalidade do jornalista deve estar contida na entrevista é arriscar dizer que a sua atitude pode estar isenta de princípios básicos como imparcialidade e objetividade.
Medina vai além, e afirma que o bom repórter é criador e consegue desenvolver uma obra de arte social a partir da interação com seu entrevistado, possibilitando as percepções de ambos. No entanto, a questão que deve ser levantada é: o que vem a ser essencial? O jornalismo que preza a informação objetiva e imparcial ou aquele que visa o interpretativo e subjetivo? A autora responde que a “total objetividade” é uma ingenuidade e defende que “é preciso usar nosso traço humano”, citando Edgar Morin para explicar que quando o homem criou a consciência da morte, eliminou a ideia do “puro ser objetivo” como uma defesa à própria morte. Com a construção do mundo subjetivo, a autora afirma que torna impossível a “total objetividade”. Ingenuidade, então, não seria acreditar que a o envolvimento do repórter com o entrevistado poderia gerar uma matéria genuinamente parcial? Pelo menos, a tentativa de um texto informativo traz comprometimento com o público, e não com a fonte.
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Esse texto foi um trabalho de faculdade em que a professora exigiu uma crítica negativa. Na verdade, eu gostei bastante da ideia proposta pela autora. Mas não poderia deixar de concordar que existe certas linhas possíveis à reflexão. A lição que tive é que nada pode ser totalmente positivo, assim como nada pode ser totalmente negativo. Não se pode concordar com tudo, ao mesmo tempo que não se pode discordar também.