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No dia 29 de abril de 1980 morria um cânone do cinema mundial. Causador de arrepios e frio na espinha, não é possível contar quantas pessoas já foram embaladas pelos mistérios de Alfred Hitchock.

Por William Creamer - "Psycho" (1960) Janet Leigh

Multidões foram surpreendidas  com os belos finais e fascinadas com as tramas, até perderem a conta das inúmeras vezes que sentiram calafrios.  O cineasta inovou o cinema com técnicas até hoje utilizadas por profissionais da área.

O suspense ficou famoso por merecida genialidade. Em vez de deixar o espectador esperando pelo desfecho, usava elementos durante o desenvolvimento do filme capaz de gerar expectativa na hora certa.

Seus personagens  costumavam demonstrar  uma ansiedade crescente durante a trama, até, finalmente, o momento clímax surgir. Além disso, para alimentar ainda mais o suspense, Hitchcock investia em efeitos de luz, som e ângulo.  A criatividade também era um outro trunfo. Em “Psicose” (Psycho – 1960), por exemplo, para fazer o sangue de Marion Crane (Janet Leigh) foi utilizado calda de chocolate e o som das facadas, na realidade, é feito em um melão.

"Rear Window" (1954) James Stewart como Jeffries - IMDB

Os filmes hitchcockianos tinham  personagens com   características peculiares. Em alguns filmes, as masculinas,  tinham a tendência de apresentar conflitos o relações estranhas com suas mães. Já as  personagens femininas, em geral, eram loiras e meigas, entretanto, se apaixonadas, poderiam se tornar perigosas. Além disso, Hitchcock tinha figurinhas carimbadas em seu elenco, atores como Cary Grant, James Stewart e Grace Kelly.

As inovações de Hitchock não pararam por ai. Ele criou um termo para elementos que não são importantes na trama, mas que têm sua função, como a de levar os personagems ao conflito principal. O conceito foi denominado de “MacGuffin” e é essencial por dar a oportunidade ideal para que o enredo se desenvolva. Além disso, outro fator inovador era a participação passiva do cineasta em determinadas cenas. Hitchock apareceu na

"Rebecca" (1940) Joan Fontaine, Judith Anderson

maioria dos seus filmes nos mais variados papeis de figurante, lendo um jornal ao canto, atravessando a rua ou simplemente como um passageiro de um trem.

Não é à toa que o diretor leva o título de “mestre do suspense” até hoje, em pleno século XXI. Já se passaram milhares de  obras que também mudaram a história do cinema e, mesmo assim, Hitchock continua causando profundas sensações de ansiedade no espectador.

Alunos reclamam, mas boa parte das queixas não chega aos ouvidos dos diretores

Fotocopiadora do campus Edson Machado do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) recebe reclamações por filas demoradas e computadores insuficientes, mas os responsáveis não têm controle da situação por falta de iniciativa dos estudantes

08h40min da manhã. Muitos alunos criam um tumulto em frente à bancada da fotocopiadora da empresa terceirizada Panacopy, responsável pelo serviço de impressão do IESB. Alguns querem apenas imprimir, outros querem tirar cópia ou encadernar algum documento. Mas a frustração é geral, a recepção dos funcionários é demorada e o número de pessoas aguardando para serem atendidas se acumula com o tempo. “O atendimento é muito devagar, deveria ter mais pessoas para ajudar os alunos, principalmente nas horas de pico”, afirma a aluna do segundo semestre de Jornalismo, Keury Almeida (19).

O quadro também incomoda os funcionários, já que o fluxo é superior à capacidade dos dois únicos encarregados pela unidade de foto-reprodução. Acreditam que para resolver o problema do inchaço nos horários de maior uso é necessário adotar novas medidas. Para melhorar, seria interessante mais um funcionário ou outra copiadora para distribuir melhor o fluxo de alunos”, declarou Alan Bruno (21), atendente da empresa.

Um dos funcionários da ouvidoria da instituição, Elvis Araújo (25), informou que poucos alunos reclamam sobre o mau funcionamento da reprografia. “Há queixas, mas são poucas as que chegam para nós. Os alunos não fazem reclamações formais”, defendeu.

Dos 20 alunos entrevistados, apenas uma respondeu estar satisfeita com o serviço de foto-reprodução oferecido pela faculdade, e alegou não frequentar tanto o local, apenas quando a impressora que tem em casa apresenta defeitos. Boa parte dos estudantes tem consciência da desorganização, mas apenas uma pequena parcela afirmou já ter se queixado na ouvidoria.

Outro problema notável é a falta de conscientização entre os estudantes para o uso dos computadores. Muitas pessoas utilizam as máquinas para outros fins, que não os estipulados pelas regras da copiadora. Conheço as regras e as cumpro. Diferente de algumas pessoas que deixam para formatar e revisar seus documentos nos próprios terminais de acesso antes de serem impressos, o que é vetado pelo regimento da reprografia”, afirma um dos alunos que frequentam diariamente o local, André Ribeiro (19), estudante do terceiro semestre de Jornalismo. O painel com as informações encontra-se na parede em frente aos computadores, mas mesmo assim, muitos insistem em desrespeitá-lo. Uma aluna do primeiro semestre de Publicidade utilizou uma das máquinas de 09h55min às 10h33min, período em que há maior movimentação. Essa atitude colaborou para o congestionamento na fila. “Sempre que eu vou à copiadora tenho algum problema porque as pessoas a utilizam de forma inadequada. Não tem fiscalização, reforça a estudante do segundo semestre de Jornalismo, Lidyane Barros (19).

Os computadores são alvo de mais queixas. Apenas quatro máquinas estão disponíveis para todos os 7138 alunos (dados de 27/10/2009) do campus.Muitos trabalhos, muitos cursos, muitos alunos, filas quilométricas, e somente quatro computadores”, declara Victor Correia (19), estudante do terceiro semestre de Jornalismo. Além disso, vários estudantes reclamam de máquinas quebradas ou desligadas, diminuindo ainda mais o número de computadores. O atendente da fotocopiadora, Alan Bruno, declarou que a instituição era a responsável pela manutenção dos terminais. Em contrapartida, um dos técnicos em manutenção de informática do IESB afirmou que essa tarefa era parte também da Panacopy, embora a faculdade preste pequenos serviços emergenciais para não agravar o quadro das filas. Defeitos em software ou de rede são concertados pelo IESB, mas defeitos mais graves são reparados pela própria Panacopy”, afirma o técnico. No entanto, os alunos continuam inconformados com o sistema empregado. “Já foi verificado no começo do semestre apenas um de quatro computadores em funcionamento durante uma manhã inteira. Ninguém veio arrumar essa emergência”, sustenta Lidyane Barros.

O diretor administrativo do campus, Lutero Leme, assegurou que periodicamente faz reuniões com os responsáveis da empresa terceirizada, a fim de avaliar como os problemas estão sendo solucionados. Afirmou, ainda, que novas propostas estão em andamento. “Estamos refazendo o layout do espaço de reprografia. Os computadores ficarão junto ao balcão, para não haver o uso indevido e agilizar o envio de arquivos”, afirma Leme. Apesar disso, o diretor disse que não há planos para ampliar o número de computadores.

As reclamações não se limitam apenas ao campus Edson Machado da Asa Sul. Relatos de pessoas em desacordo com o mesmo serviço no campus Giovanina Rímoli, da Asa Norte, também são pertinentes. “A copiadora em sua função é boa, mas não supre as necessidades de todos os estudantes, cuja quantidade não é proporcional à capacidade oferecida pela faculdade”, lembra Larissa Gusmão (21), estudante do terceiro semestre de Direito do campus norte.

Isabella Corrêa e Jefferson Bispo

O amor russo nas telas brasileiras

Com doses de abstração, sentimentalismo e relações pessoais complicadas e profundas, “Insolação” leva o teatro  ao cinema e mostra uma adaptação de contos russos que tinham como tema o amor.

O filme retrata pessoas que vagam pelas quadras de Brasília acompanhadas por seus problemas:  os amores  mal resolvidos, as  paixões loucas e os questionamentos a respeito da vida, se entrelaçando e criando as linhas do clímax na narrativa. O clima teatral que se passa durante todo o longa traz a ideia principal do filme, as mentes amantes e confusas, utilizando os sentidos para melhor reproduzir as sensações dos personagens.

Apesar do fracasso de bilheteria, o longa traz elementos ricos em questões artísticas, podendo ser realmente visto como arte (além do entretenimento). A fotografia do filme (riquíssima), de Mauro Pinheiro Júnior, mostra uma Brasília diferente, mais desértica, sob uma ótica romântica e singular, aproveitando a arquitetura característica da Capital. Além disso, a fotografia permite reforçar a sensibilidade, deixando o racional em segundo plano e dando maior abertura para o sentimento.

O cinema brasileiro tem seguido a linha do gosto popular, talvez o que explique melhor a baixa procura do público. O filme investe bastante na imagem, no sentimental, no simples e, ao mesmo tempo, nos delírios e conflitos internos dos personagens. Essas questões reduzem muito ao interesse pelo tema, já que envolvem fatores mais introspectivos e não apenas conteúdo de fácil absorção. O filme também traz clichês um tanto baratos, como o “filósofo louco” que vaga pelas ruas refletindo sobre questões da vida ou a mulher problemática mal resolvida. Esses fatores certamente colaboraram e explicam a pouca receptividade nos festivais em que o filme foi exibido, além dos aspectos teatrais aparecerem em demasia (embora isso fosse um dos objetivos).

O “cinema-arte” foi trazido para o brasil (através de “Insolação”) por Felipe Hirsch que, ao lado de Daniela Thomas, faz a direção do filme. Hirsch tem títulos importantes dentro das artes cênicas, sendo um dos nomes mais importantes do teatro atualmente. Com um projeto arriscado, o diretor quis exigir mais do público brasileiro e conferir se  haverá a sintonia entre o objetivo principal do longa e o resulado da bilheteria. O longa entra em cartaz nos cinemas neste final de semana. Maria Luiza Mendonça, Leandra Leal,  Simone Spoladore e Paulo José estão entre o bom elenco do filme.

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Referência: Http://www.colheradacultural.com.br/

Revista da Cultura

Liderada por Pedro Herz, dono da grande Livraria Cultura, a “Revista da Cultura” poderia até ser considerada, precipitadamente, uma revista criada para fazer forte publicidade da própria empresa, o que é natural. Mas a maior loja do país no gênero se tornou símbolo de cultura em todos os sentidos. Além de espaços para atrações musicais e teatrais, há também palestras educativas e exposições de fotografia e arte, entre outros eventos. Com a revista não poderia ser diferente. A ilustrada esbanja informação de qualidade e demonstrações de conhecimento cultural.

O conteúdo aborda, mensalmente, assuntos relacionados a literatura. Porém, abre grande espaço para as outras vertentes culturais, tais como a música e a arte em seções destinadas a perfis, artigos, entrevistas e reportagens fazem das páginas da revista um convite refinado ao saber, sem subestimar o senso crítico de quem lê.

A linguagem, cabe aqui destacar, é simples e irreverente, de tal forma que o leitor passa o olhar pelas linhas do texto como se estivesse lendo uma literatura leve e contínua. Dessa maneira, é possível que qualquer pessoa consiga absorver a informação sem maiores dificuldades. Entretanto, embora simples, a profundidade do conteúdo não é menosprezada.

É  claro que a revista da Cultura aproveita as publicações para mostrar o melhor da loja. Seções como “Ler para ser”, no qual clientes comentam suas compras. “CDs, DVDs E Livros” são outras páginas nas quais personalidades da mídia recomendam suas preferências culturais, o que, indiretamente, é uma forma de mostrar vários produtos como sugestões de compra. Além disso, ao final de cada edição surgem, de fato, as propagandas. Lançamentos e mais vendidos são os destaques. Eventos e principais acontecimentos do mês também ganham lugar nas últimas páginas.

A revista da Cultura está nas mãos dos clientes desde 2003 e é distribuida gratuitamente em todas as unidades da loja. A única oferta paga é para quem quer assinar e receber em casa, com uma taxa anual de R$49,00. É possível ter acesso no site da Livraria Cultura e ainda receber por e-mail, na íntegra, só que na sua versão on-line, sem o cheiro habitual de impresso.

Graças a vendas exclusivas de obras clássicas tão difíceis de serem encontradas em lojas comuns, muitos fãs de cinema conseguem mais facilmente reunir sua filmoteca. Filmes antigos, porém de qualidade indubitável, hoje têm maior espaço em mercados especializados.

A videolocadora “2001 video”, presente no mercado desde 1981 em São Paulo, vem trazendo títulos como Profissão: Repórter, Quinteto da Morte, Maratona da morte, também uma reunião de documentários da Cia., de 1951 a 1971, entre outros filmes. Além disso, há a possibidade da venda online para todo o país, facilitando o acesso àqueles que cultuam o cinema clássico, mas que não residem em São Paulo. Outro departamento  especializado no setor é a loja “Saraiva”. A seção online “cinemateca – tesouros da sétima arte” traz títulos raros e fortemente idolatrados no mundo da cinefilia. Obras como A luz é para todos, New york new york, Viva zapata! e O amante de lady Chatterlay são algumas das sugestões de clássicos do site. Os preços das lojas variam entre 20 e 30 reais e trazem promoções que podem reduzir o valor do frete.

A iniciativa pode ser comparada a expressão “unir o útil ao agradável”. O mercado dos Clássicos, obviamente, não é o mais procurado pelo grande público, porém, tem lá seus admiradores. É certo que uma hora alguém iria olhar para eles e ver importância na venda de tais filmes como  um  comércio de lucro para as empresas. Além disso, quem vende certamente reconhece o valor que o fã atribui ao seu objeto cultuado e propõe diversas sugestões para colecionadores. O fato de ser “exclusivo” não causa prejuízos de mercado, (como a pouca venda do material e, consequentemente, a sobra em estoque) já que o público não atinge nem de longe a forma de “massa”. Hoje, o foco dos empreendedores e afins, é o cliente, a mercadoria individualizada e devidamente personalizada. Fato esse que leva a confirmar esse mercado de filmes exclusivos como um bom negócio.

O que verdadeiramente importa é que, àqueles que gostam de cinema e de colecionar as obras favoritas, esse sitema de compra de filmes “reinventado” é uma saída interessante e, sobretudo,  acessível.

Lojas:

http://www.2001video.com.br/Exclusivo.asp

http://www.livrariasaraiva.com.br/cinemateca-saraiva/?ID=C898620C7D90A16002C2E0224

A sangue frio – Truman Capote, Companhia das Letras, 440 páginas, 2003.

Sobre uma nota de apenas duas linhas no jornal “The new york times”, o jornalista Truman Capote escreveu uma obra-prima do jornalismo literário. Leu sobre uma família que havia sido assassinada brutalmente no interior do Kansas (Texas, EUA) e, a partir disso, achou que daria uma boa matéria. Seguiu com suas malas até a cidade em companhia da amiga escritora Harper Lee (autora do livro “O sol é para todos”). Ao chegar ao local do crime, conversou com vizinhos, conhecidos e familiares e percebeu que aquela história daria bem mais que uma reportagem. Desde então começou-se uma das apurações mais profundas da história do jornalismo estadunidense.

O livro registra a história dos quatro membros da família Clutter, o Sr. E Sra. Clutter e seus dois filhos, Kenyon e Nancy. Paralelamente, apresenta os dois assassinos, Perry Smith e Dick Hickcock. Capote reproduz fielmente as cenas e traz detalhes minuciosos que comprovam a grande pesquisa feita pelo escritor. Desde uma descrição detalhada da cidade e da população, até dos próprios “personagens” envolvidos, revelando informações íntimas, que dificilmente se conseguiria sem uma consulta a própria pessoa.

“A tatuagem de um rosto de gato, azul e sorridente, cobria sua mão direita; em seu ombro, florescia uma rosa azul. Mais tatuagens, desenhadas e executadas por ele próprio, ornamentavam seus braços e seu tronco; a cabeça de um dragão com uma caveira humana entre as mandíbulas abertas; mulheres nuas de seios fartos; um diabinho brandindo um tridente; a palavra PAZ acompanhada por uma cruz que irradiava, na forma de traços irregulares, raios de luz sagrada; e duas criações sentimentais – a primeira um buquê de flores dedicado a MAMÃE-PAPAI, a outra um coração que celebrava o romance entre DICK e CAROL, a moça com quem se casara aos 19 anos…” O trecho descreve as tatuagens no corpor de Dick, um dos assassinos. Além disso, revela o cuidado de Capote aos detalhes, ao mesmo tempo que confirma a boa percepção de um jornalista literário.

Em 6 anos de apuração, Capote reuniu tantos dados, que poderia ter escrito um livro de até 2 mil páginas. Se julgava genial por ter escrito essa obra e, com razão, fez de seus “exageros”, uma realidade. Seu livro seria adotado por ele como “non-fiction novel”, ou simplesmente “romance sem ficção”. Entre muitos outros que surgiram anteriormente, esse certamente causou bastante alarde sobre a população, sendo campeão de crítica e venda quando lançado em 1966. Capote iniciou o que hoje se chama de “new journalism”, introduziu o jornalismo a literatura e trouxe um estilo novo de romance não-ficcional. Além dessas heranças, o escritor fez nascer a paixão em milhares de estudantes que sonham em unir o literário ao jornalismo e aprimorar a arte de contar histórias da vida real.

A arte de ontem vista com olhos de hoje

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Por Isabella Corrêa e Sílvia Mendonça

Se dezenas de pessoas respondessem o que é arte hoje, pelo menos boa parte responderia com argumentos usados nos movimentos modernistas da década de XX. A cultura que vemos hoje teve influência direta com os movimentos de vanguarda. “O modernismo abriu o leque de possibilidades criativas, possibilitou a quebra de uma rigidez que existia até então no mundo das artes”, afirma Marisa Mendonça (21), estudante de cinema e artes plásticas.

A pintura, a literatura e a música trouxeram pensadores do moderno para exercerem funções drásticas de racionalização nos cidadãos, fazê-los pensar o que é arte. “O grande valor da arte, seja ela qual for, é gerar um pensamento”, disse certa vez o artista plástico Nelson Felix.  Hoje é cultuada uma cultura de âmbito industrial, o que faz gerar o questionamento sobre o verdadeiro valor da arte sobre os olhos de cada pessoa. “O modernismo nada mais foi do que uma grande ‘afrouxada’ nas amarras que possuíamos em relação a arte, toda aquela pompa, eixo, proporção, motivo, principalmente a arte europeia, da antiga escola, do mundo velho e todo aquele padrão, tanto estético como artístico”, definiu a artista plástica Louise de Londres (23).

O modernismo foi mal recebido e criticado pelas sociedades do século XX, viria a ser prova de que estas não estavam preparadas para transformações. “A diversidade de opiniões acerca de uma obra de arte evidencia que essa obra é nova, complexa e vital”, lembraria Oscar Wilde.

A professora de arte, Waléria Nascimento (45), afirma que o movimento modernista foi importante porque trouxe novos pensamentos e concepções de arte, antes com linhas clássicas e, posteriormente, com cores fortes e vibrantes, além de trazer grande expressão cultural, econômica e religiosa.

As vanguardas evidenciaram uma herança intelectual para a cultura de hoje de forma que sem elas não haveria tanta riqueza cultural. “O modernismo transformou a arte retirando-a do patamar de pura mímese para livre expressão do imaginário do artista”, conclui a arte-educadora e artista plástica Sara Siqueira (24).

Herança e criação de Villa Lobos

Se existe alguém que colaborou efetivamente para enriquecer a cultura brasileira, essa pessoa foi Villa Lobos. Adotou uma nova estética a música clássica e inovou diante dos padrões até então existentes. A velha mania de copiar a Europa em tudo fazia da música erudita brasileira um instrumento comum. Heitor Villa Lobos rompeu barreiras e foi considerado um dos principais representantes do modernismo na música brasileira. “Ele não é só o compositor brasileiro mais influente do Brasil, mas também pode ser comparado a muitos compositores europeus, ou um dos melhores de toda a música erudita”, revela o estudante de Relações internacionais e amante da música clássica, Reinaldo Alencar (19).

O compositor conseguiu unir o popular ao erudito e o erudito ao popular. Trouxe o chorinho, o folclore, os sons da natureza e o que há de mais brasileiro a sua música. Permitiu a utilização de instrumentos não-ortodoxos para o clássico, como o saxofone. Foi um dos poucos compositores que fez música para violão, além de trazer instrumentos de percussão para suas composições.

Villa Lobos, no entanto, não teve sempre o caráter nacionalista. Sua história na música começou com muitas influências européias, como Wagner, Puccine e principalmente por Bach, passando por um período neobarroco e sendo envolvido, também, pelos impressionistas. Foi modernista e participou da “Semana de arte moderna de 1922”, conhecida pela apresentação de um novo patamar na cultura brasileira, com inovações nas artes da literatura, música,  pintura, entre outros.

Foi considerado por muitos críticos como um legítimo nacionalista, defensor do Brasil. No entanto, opiniões diversas alegam que ele guardava uma aptidão pelo brasileiro e, apenas isto. “Para mim, Villa Lobos não se encaixava em nenhum estilo, simplesmente escrevia musica”, afirma o estudante.

Recentemente, o compositor completou o cinqüentenário de morte e teve sua herança musical lembrada pela mídia, músicos e admiradores de sua arte. “Villa-Lobos talvez tenha sido o mais brasileiro dos compositores brasileiros de música clássica. Pena que brasileiros não são muito bons em lembrar de brasileiros”, afirmou a jornalista Kelly de Souza, que escreve para o blog da livraria Cultura, em desabafo ao espírito pouco convidativo para a música erudita dos brasileiros.

Uma escritora de sensações

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Virginia Woolf (1882 – 1941), famosa escritora britânica modernista, é conhecida por sua literatura impressionista, descrevendo especialmente os sentimentos e as sensações. Uma de suas marcas registradas é o uso da técnica do fluxo de consciência, criado pelo escritor irlandês, James Joyce. Consiste em transcrever embates psicológicos internos de personagens sem a utilização de pontuação. Baseia-se na transcrissão dos pensamentos dos personagens, exatamente como acontecia na consciência deles, como uma maneira de trazer a tona tudo o que se passava na cabeça das pessoas envolvidas na obra, de uma forma extremamente interiorizada. O personagem refletia sobre diversas coisas e poderia mudar de pensamento na mesma hora  sem interrupção, como vírgula ou ponto. Além disso, com essa técnica, os personagens podiam passar por uma espécia de confronto com o próprio mundo, aquilo que acreditavam, e o mundo exterior em que viviam.

Woolf participava do grupo ”Bloomsbury”, em que acadêmicos e artistas ingleses discutiam temas como arte, literatura, o novo século, liberdade, o confronto com preconceitos, opções sexuais, viagens, perdas, casamentos etc. Estes eram favoráveis ao movimento francês dos boêmios e, depois da Primeira Guerra Mundial, o grupo se posicionou contra as tradições literárias, sócias e políticas da Era Vitoriana. Entre suas obras mais famosas estão As Ondas, Flush e Mrs. Dalloway, este último bastante conhecido pelo filme As Horas, baseado no livro homônimo de Michael Cunningham. Woolf também é reconhecida como defensora da causa feminista, chegou a escrever dois livros, de não ficção, a respeito do assunto: A Room of One’s Own (Um quarto próprio) e Three Guineas (Três Guinéus). Em março de 1041, tragicamente, Woolf cometeu suicídio após um colapso nervoso.

A ousadia de Duchamp

Qual o critério para que algo se torne arte? Beleza, tons, movimento, impacto, cores. Desde que Marcel Duchamp entrou para a história do modernismo do século XX, o conceito de arte mudou completamente. Sua técnica, ready-made, inovou os parâmetros artísticos da época. Diz respeito a uma manifestação em que um objeto industrializado é elevado ao valor de obra de arte, retirando as noções básicas de estilo e técnica artística. O que se questionava não era a beleza exterior do objeto como arte, mas sim o que isso representava. O exemplo mais clássico é a “Fonte”, apresentado ao Salão da Sociedade Novaiorquina de artistas independentes, em 1917. A obra era, simplesmente, um urinol assinado. O que Duchamp queria mostrar é que, um objeto visto como obra de arte tinha seu sentido modificado. Não era simplesmente um urinol, aquele objeto em um museu já não apresentaria o mesmo sentido se estivesse em outro ambiente, com intenções diferentes. “Será arte tudo o que eu disser que é arte”, afirmou certa vez o artista sobre o modo de definir e caracterizar seu estilo.

Duchamp queria chocar, no mesmo modo que implicava o movimento dadaísta. Tirar o objeto do seu habitual e transformá-lo em algo novo. “Ele tinha seu próprio estilo, inigualável, que foi libertador e fez com que a contemporaneidade assumisse a liberdade que faltava na modernidade”, afirma a arte-educadora e artista plástica Sara Siqueira (24).

A ideia entendida por ele e pelo movimento dadaísta era a de que havia necessidade do “choque” para que fosse possível inovar e transformar os conceitos referentes a arte. O artista queria, com tudo isso, criticar o modo “simplista” de ver a arte naquela época. Ele achava que a arte não deveria causar apenas uma sensação pelo visual, mas também pelo sentido e significado da obra. Não era seu estilo fazer objetos belos que causassem interesse estético.

Marcel Duchamp também tinha hobbies particulares e passou bom tempo de sua vida dedicando-se ao xadrez, jogo pelo qual era apaixonado. Nasceu em julho de 1887, na França, e veio a falecer em outubro de 1968.

Uma nova forma revolucionária

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Um dos maiores poetas russos foi Vladimir Maiakóvski (1893 – 1930). Aos 15 anos, Maiakóvski já se interessava pelo movimento revolucionário russo e ingressou no Partido Social-Democrático Operário Russo. Em 1910, entrou na Escola de Belas Artes e lá conheceu o pintor David Burliuk, com quem fez parte do grupo fundador do Cubo-Futurismo russo – vanguarda que combina o uso das formas cubistas com o dinamismo e inquietação do movimento futurista. Uma de suas criações foi a revista LEF – de Liévi Front (Frente de Esquerda) – que reunia escritores e artistas de esquerda na busca pela renovação social. Sua obra defendia ideais revolucionários e seus textos eram críticos e satíricos. Maiakóvski utilizava uma linguagem lírica, sem complicações. Além disso, suas tendências modernistas possibilitaram a abertura de um novo patamar para a arte da poesia. Ele chegou a escrever poemas comparando-se a usinas de aço, coisa que seria inimaginável em outros tempos, sendo considerado até mesmo uma ofensa à arte.

O poeta fez de seu trabalho não só um estudo para as artes, como para a política e as ideias revolucionárias da Rússia.  A forma clara na escrita, a sátira e o desejo pelo moderno fez com que Maiakóviski se tornasse  uma das maiores inflências da poesia russa. Ademais, como um dos principais participantes do movimento futurista de seu país, costumava dizer que “Sem forma revolucionária não há arte revolucionária”. Infelizmente, suicidou-se em 1930 com um tiro.

Os tons de Stravinsky

Em junho de 1982 nasce uma das 100 personalidades que influenciaram o século XX, segundo a revista Times. O russo Igor Stravinsky foi considerado um compositor inovador no modo como “regeu” sua música. Diante as suas três fases, ele teve um período em que fazia composições para balés, outro que abordava o neoclassicismo e o período serialista.

Influenciado diretamente por Schönberg, criador do dodecafonismo – estilo que inovou as técnicas de composição na música clássica -, Stravinsky pôde,  dessa forma, contextualizar a obra revolucionária que lhe daria um nome a lista do Times. Entre suas fases de voltar ao clássico e seguir com o moderno, ele adotou a criação de Schönberg, que era uma nova forma de composição. Antes as peças eram feitas com apenas um tom. Schönberg, a partir dessa técnica, quebrou tendências. O que antes se adotava, mudou para a utilização de outros tons, tocados ao mesmo tempo. No entanto, essa técnica trouxe estranhamento ao público, que não via teor estético agradável aos ouvidos.

Muitos tons tocados ao mesmo tempo significavam tom nenhum. Essa técnica rompeu com tendências já existentes.  O compositor foi então, adepto de técnicas como o serialismo, logo ao final de sua carreira.

Além de músico virtuoso, Stravinski tinha grande interesse por literatura, ao ponto de se tornar escritor de vários livros, incluindo uma auto-biografia, Chronicles of My Life, em 1936. A música selvagem e agressiva, porém rica, conquistou ouvidos por todos os cantos do mundo. A fuga da harmonia clássica e, ao mesmo tempo, a vontade por sons que revolucionassem a visão da música erudita da época, fizeram com que Stravinski provasse  o gosto por novas experiências musicais, se aventurando em novas formas harmônicas e chocando os públicos de onde tocava. O compositor viveu até Abril de 1971, perto de completar seus 89 anos de idade.

4 minutos e 33 segundos de silêncio

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O compositor e escritor norte-americano John Milton Cage foi um dos vanguardistas de sua época. Nasceu em Los Angles em setembro de 1912 e faleceu em  agosto de 1992. Sua matéria prima e inspiração é o cotidiano, a simplicidade. Cage ficou conhecido pelo seu experimentalismo musical e por ser pioneiro na música eletrônica. Sua peça mais famosa, e pela qual ficou notável, chama-se 4’33. Criada em 1952, trata-se de uma estranha composição. A gravação consiste em quatro minutos e 33 segundos sem qualquer instrumento tocando, os únicos sons possíveis de escutar são os ruídos e barulhos da platéia e do ambiente.

John Cage era conhecido por seu estilo estranho, diferente dos outros. Sua música era chamada de “música aleatória”, no entanto, o músico a caracterizava como “música de acaso”, no qual alguns elementos musicais eram deixados de lado (ao acaso), já que o próprio compositor se deu conta de que não precisava de tais estruturas dentro de sua música. Cage levou influência a aritistas de todas as partes do mundo e deu inicio ao movimento Fluxus, que reunia músicos e artistas plásticos. Sua “estranheza” mostrou que nem sempre a virtuosidade vem a partir do clássico e tradicional, exige criatividade e inovação, ter a liberdade para criar e nutrir a própria imaginação a fim de “modernizar” a arte. O que se pode dizer sobre  John Cage, no final das contas, é que sua ousada estética musical trouxe grandes influências para a música atual.

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