Feeds:
Artigos
Comentários

Cidadão ativo

Votenaweb facilita o acesso dos eleitores às leis e  Eulembro garante recordação sobre eleitos

Montagem retirada a partir das imagens fornecidas pelo site Votenaweb

Desde o aumento do acesso à internet no Brasil, o meio digital se tornou um caminho para fiscalizar a política e torná-la mais democrática, aproximando os cidadãos às decisões do Congresso Nacional e colaborando para uma nação mais crítica. Os portais Votenaweb e Eulembro levam o conhecimento simplificado de projetos de leis que estão em trâmite aos 16 mil brasileiros cadastrados e filtram as ações de cada político dentro das redes sociais.

 Criadas em 2009 por Fernando Barreto, as duas iniciativas fazem parte do projeto Webcitizen, que visa remover o hiato existente entre o cidadão e a política, além de despertar o sentimento de cobrança e vigia. “O que estamos procurando é aproveitar esse potencial da internet, essa horizontalidade, a abundância de informação, para construir pontes que transformem essa relação (político e cidadão) profundamente”, justifica.

Para o fundador, políticos deveriam ser parceiros do cidadão, além de ter as mesmas obrigações, compromissos e sonhos para construir o presente e o futuro da sociedade. A partir disso, ele uniu propostas para ampliar a participação da população, aproveitando o crescimento da web 2.0 (internet “participativa”, ex: redes sociais e wikipédia). As principais funções dos portais consistem em traduzir códigos políticos e acompanhar a ação dos representantes. “O Votenaweb surgiu de um problema que é a falta de transparência”, diz ele. “O objetivo do Eulembro é ajudar o cidadão a ter uma ‘memória de elefante’ para que se lembre de quem votou e acompanhe a atuação de seus candidatos”, complementa.

É possível ter acesso aos projetos de leis nos portais digitais de cada órgão do governo, mas isso acontece de forma pouco instrutiva e de difícil acesso. “Quando o cidadão encontra um projeto, o problema fica ainda maior, pois ele está escrito em ‘congressês’”, relata, sobre a linguagem complicada e os termos técnicos. Com o Votenaweb, a dificuldade diminui. “Temos uma equipe especializada que cuida da tradução dos projetos e resume em poucas linhas a essência deles”, informa. “Os assuntos políticos não podem ser vistos como burocráticos, solenes, já que eles fazem parte de  todo o nosso cotidiano”, defende Barreto.

No site, quando os projetos de leis são publicados, cada pessoa cadastrada pode votar simbolicamente a favor ou contra. Esse formato permite ao portal estabelecer um mapa da vontade do cidadão em relação à vontade do político de ver suas ideias aprovadas.

Nos dois portais o internauta tem o poder de ficar mais perto dos governantes. Além de poder comentar, eles podem enviar mensagens aos parlamentares que criaram projetos no Votenaweb e ver o que é realizado por eles no Eulembro. “A consequência dessa proximidade é o sentimento de pertencer àquela história e, por sua vez, de se comprometer, atuar e participar”, declara Barreto.

O Votenaweb conta com mais de 50% de público jovem e mais de 310 mil votos desde que entrou no ar. Para Barreto, esses valores são uma agradável surpresa e que vieram em pouco tempo. “É por isso que acreditamos que projetos como esse não são apenas um reflexo de como as pessoas vêem a política brasileira, eles são um espaço para transformar essa visão”, observa. O estudante de relações internacionais Reinaldo Alencar, de 21 anos, cadastrado no endereço desde o ano passado, concorda. “É uma forma não-filtrada de se ter acesso ao que acontece no governo. É mais ou menos o que diz no portal: ‘Vote e seja ouvido’”.

O jornalista americano Larry Rohter, no livro Deu no New York Times, afirma que ainda não há o peso do clamor da opinião pública sobre fatos que acontecem na política brasileira. Critica o fato de não existir memória nos eleitores e de ser ter como normal a expressão “a lei não pegou” na cultura do Brasil. A equipe de Barreto sugere, por meio dos portais, uma solução para esse problema. A ideia é que se cada cidadão souber o que os governantes fazem e entender o que acontece na política, haverá mais participação e, assim, mais conhecimento para julgar sobre leis que não “pegam”.

Barreto critica o fato de haver na política brasileira o conformismo sobre como a política gera benefícios ao cidadão. “A nossa cultura vê o governo como uma “vending machine” (máquina de venda de produtos). As pessoas colocam uma moedinha na máquina, que são os impostos, e devem receber serviços, como escola, hospitais, etc”, contesta. A proposta do idealizador também visa mudar essa maneira de pensar. “Queremos ver projetos realizados em parceria, coletivos e colaborativos. Uma divisão de responsabilidades  e consequentemente de realizações que não seja vertical”, completa sobre a importância da participação do cidadão na vida pública.

O estudante acredita que esse tipo de iniciativa pode gerar, ainda, outras soluções. “Ajuda a descentralizar a função de vigilância que é exercida pela mídia, que também possuí vínculos políticos”, diz. “Creio que ainda não se chegou ao ponto do site ser um instrumento de pressão política. Porém, ele tem essa potencialidade. O site simula o que seria uma democracia direta em tempos de internet”, completa.

Os sites podem ser acessados por meio dos endereços www.votenaweb.com.br e www.eulembro.com.br

Anúncios

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília no dia 14 de janeiro


A internet hoje leva ao mundo inteiro o conceito que um dia o sociólogo canadense Marshall McLuhan chamou de Aldeia Global. Um lugar onde não haveria distância entre uma pessoa e outra, mesmo se morassem em lugares distantes: abraçar o planeta seria algo plenamente possível com apenas um clique no mouse.

Para a segunda leva de apresentações do projeto Sai da Rede, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de hoje a domingo, novos artistas da geração online marcam presença: a banda paraibana Burro Morto, a cantora pernambucana Lulina e o grupo paulistano Coletivo Instituto.

“A gente conseguiu o primeiro contato para sair da Paraíba através da internet, pelo Myspace. Acho que 90% dos nossos contatos de shows e de conhecimento artístico vieram por meio dela. Como artista, não tem como não pensar nessa ferramenta que está mudando a maneira de se trabalhar em banda, e é o que está fazendo essa revolução de uma nova visão cultural”, conta Daniel Ennes Jesi, contrabaixista da banda Burro Morto.

Lulina concorda e reforça que sem a ajuda da web jamais poderia ter impulsionado a carreira artística. “Devo tudo a internet. Se não fossem as pessoas comentando ‘Lu, gostei muito do seu trabalho’ eu nunca teria me sentido animada para continuar. Sem ela, acho que até hoje estaria divulgando meu trabalho só para os meus amigos”.

Daniel Takara, produtor musical e um dos criadores do Coletivo Instituto vê a rede como responsável pelo surgimento da nova geração e facilitadora do processo de se fazer música atualmente. “A internet foi um divisor de águas muito grande. A cena independente conseguiu se profissionalizar muito. Divulgo meu trabalho porque ela passou a ter uma força enorme no que eu faço”, diz.

O primeiro show, comandado pelo Burro Morto, leva o afrobeat, a psicodelia e o rock como embalo para o som que faz. “A gente é muito calcado pelo afrobeat porque o nordeste tem uma coisa muito peculiar da dança, pela maneira que se respira, que se fala; as coisas aqui são muito cantadas. E o natural da fala, da dança, soa muito natural com o afrobeat, mas a gente também tem outras influências como o rock progressivo”.

A pernambucana, que se apresenta amanhã, no entanto, busca inspiração nas pequenas coisas do dia a dia, no ídolo Tom Zé, no indie rock e no que ela diz ser “aquela mistureba toda”. “Me inspiro na vida real-imaginária que eu vivo. Muita gente fala que uso metáfora, uso minhoca para falar da morte, por exemplo. Às vezes descrevo o cotidiano num formato diferente, apenas mascarado, mas as coisas por trás são cotidiano”. A tal “mistureba” forma um gênero bem “lulinístico” de ser e se transforma em sua “canção popular melodramática”, cheia de referências, ironias e contemporaneidades.

No domingo, o Coletivo fecha o segundo final de semana de atrações. A partir de um apanhado de estilos, une hip hop à eletrônica e ao jazz. O resultado disso não poderia ser descrito de outra forma: “O que mais nos influencia é a música de qualidade”, revela Takara. O grupo, que geralmente leva convidados para acompanhá-lo nos palcos, terá Kamau, Emicida e Funk Buia no encontro do CCBB. “A gente trabalha muito com artistas que têm seu trabalho solo e  que falam muito do cotidiano. A nossa influência tem base em expressões”, define.

O projeto Sai da Rede começou na semana passada com a ideia de propagar a voz de artistas que usam a web como principal ferramenta, mas que não são tão conhecidos pelo grande público.

Os três primeiros dias do evento confirmaram que a internet, de fato, reduz as barreiras entre as pessoas e serve como boa divulgadora de novos talentos. Cerca de 360 pessoas ocuparam os quatro cantos do Teatro I durante os três dias de shows, ao som de Lucas Santtana, Tiê e Isaar. Ainda que com cadeiras extras, o espaço não foi suficiente para os apreciadores da música independente, sendo necessário colocar um telão do lado de fora para reproduzir os shows aos que não conseguiram ingresso.

Na próxima semana, se apresentam Letuce, Tulipa Ruiz e João Brasil.

O texto também pode ser visualizado pelo link: http://www.clicabrasilia.com.br/site/noticia.php?id=320208&secao=V

Por Isabella Corrêa e Sílvia Mendonça

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília no dia  20 de novembro de 2010

 

Entre os livros da série Harry Potter, roupas personalizadas, buttons de personagens e muita disposição, dezenas de fãs mal se agüentavam de tanta expectativa no hall do cinema Pier 21. A pré-estreia da primeira parte do último filme da saga, Harry Potter e As Relíquias da Morte, estava previsto para começar exatamente às 23h55 min da noite de quinta-feira.

Tatiana Casanova, 15 anos, as irmãs Joana, 15 anos, e Luíza Lapa, 20 anos, e João Paulo Azevedo, 15 anos, conseguiram ser os primeiros da fila, que se arrastava até a praça de alimentação. A sensação de viver mais do que nunca a história de Harry Potter, sentir que se faz parte de toda a trajetória e de acompanhar uma das criações literárias juvenis mais bem sucedidas dos últimos tempos emociona os fãs. “Esse é o momento, esse é o melhor momento”, comenta Joana. “Vai ser o melhor, apenas”, reforça.

 

Foto: Isabella Corrêa

Quando a primeiro volume da saga chegou às livrarias, em 1997, pouco se imaginava que o sucesso estrondoso se estenderia até o ano de 2010, em que convenções de milhares de crianças, adolescentes e até adultos esperam horas em uma fila para pegar o melhor lugar na sala de cinema e não perder nem um minuto da emoção de assistir ao filme. “Estamos planejando esse dia há muito tempo, desde a estreia do livro. É uma expectativa gigante. A gente chegou às 13h, não tinha ninguém. Daí falamos: ‘Ah, somos os únicos’, mas agora nós somos os primeiros, a fila vai até a escada. É uma prova que a gente ama muito”, conta com entusiasmo Tatiana. “Estou com muita expectativa. A gente veio da escola, estou horrível, mas nem me importo mais, só quero ver o filme porque se não eu morro”, desabafa João Paulo, sem desanimar.

A adolescente começou a publicar em uma de suas páginas pessoais na internet a contagem regressiva para o lançamento do filme desde que tomou conhecimento da data de estreia no Brasil. A jovem publicava notícias, vídeos e qualquer informação adicional que saísse na mídia. “Como que está minha expectativa? Eu estou morrendo! Falta uma hora e eu estou esperando por esse dia há 365 dias. Estou morrendo, estou ótima”, conta, em êxtase.

Para muitos, o fascínio pela série de livros não passa de brincadeira ou fase, mas “o caso” é bem mais sério do que se pensa. “Vou para a premier em Londres da segunda parte do último filme, estou juntando dinheiro. Eu já falei para a minha mãe: ‘Não me dá presente de natal, eu quero dinheiro; coloca na poupança'”, confessa Tatiana. A fã assumida conta que quando revelou a mãe o seu plano para ser a primeira da fila, ela lhe sugeriu algo nada comum. “Eu disse a ela: ‘Olha, eu vou às 13h para a pré-estreia, tá?’ Mas quando eu falei que a sessão começava meia-noite, ela perguntou: ‘Você não quer o telefone da psicóloga, minha filha?'”.

Nem mesmo o atraso da sessão – muitas pessoas guardaram lugares para outras que ainda não estavam na sala, gerando confusão entre os presentes – desanimou o grupo de fãs que esperava desesperado pelo início da sessão. A cada minuto ouvia-se “faltam dez minutos” e, quando a tradicional música de início dos filmes começou, gritos intermináveis irradiaram os quatro cantos da sala.

Mesmo depois de tanta euforia, após os sete livros lançados e sem a perspectiva de novos por vir, as adolescentes se mostram preocupadas com o fim da saga cinematográfica: “Eu vou sentir um vazio, eu não sei o que vou fazer quando sair da sala de cinema. Vou estar feliz por estar assistindo, mas vou estar triste porque vai ter acabado. Não vai ter mais a expectativa das pré-estreias. Eu sei que é o fim de uma saga e o início de uma lenda, só que vou sentir falta”, desabafa Tatiana.

Quando o filme terminou, somente ela e os amigos estavam na sala. Com orgulho afirmavam: “Fomos os primeiros a entrar e os últimos a sair”. “Estou com o cheiro da pré-estreia, não quero sair daqui”, repetia a jovem. Sem hesitação, ela gritava: “passa de novo!”. As considerações finais não poderiam ser diferentes de quem esperava algo mágico dos filmes. “Superou muito as nossas expectativas, foi tudo perfeito”.

Ainda aos seis anos de idade, Tatiana foi introduzida às aventuras do bruxo Harry Potter pela irmã mais velha. “Minha irmã começou a ler e a noite eu pedia para que ela lesse para mim também, só que ela encheu o saco e não queria mais. Eu aprendi a ler por causa de Harry, comecei a ler aí, era muito devagar, mas eu conseguia ler todos”, lembra a estudante.

Com Joana a história não foi muito diferente. “Eu comecei a ver os filmes com seis e a ler com nove”, conta a adolescente, também influenciada pelo entusiasmo e interesse vindos de outra pessoa da família. “A irmã dela ensinou pra ela que Harry Potter faz bem para a alma”, brinca Luíza.

“Eu vi o filme antes de ler, gostei bastante, mas não era viciada. Eu fiquei apaixonada mesmo quando comecei a ler”, conta Luíza. “Eu não conseguia deixar de divulgar para todo mundo, então eu divulguei para minha irmã. Eu ficava insistindo para ela ler, falava: ‘Lê, pelo amor de Deus, é a melhor coisa do mundo’, e ela ficava: ‘Não, mas é grande’, e eu falando para ela ler porque iria amar. Mostrei para os amigos dela, todas as amigas da minha irmã são viciadas porque eu as obriguei a lerem, e hoje elas adoram”, completa.

O texto também pode ser visualizado pelo link:  http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?id=310440&secao=V

O mito do diálogo possível

A jornalista Cremilda de Araújo Medina, em seu livro “Entrevista: o diálogo possível”, traça um raciocínio prático de como a entrevista jornalística pode ser aprimorada com fatores subjetivos entre o repórter e o entrevistado. Dentre esses fatores, está a ideia de que a personalidade do entrevistador é uma técnica essencial para alcançar ganhos no diálogo. Dizer que a personalidade do jornalista deve estar contida na entrevista é arriscar dizer que a sua atitude pode estar isenta de princípios básicos como imparcialidade e objetividade.

Medina vai além, e afirma que o bom repórter é criador e consegue desenvolver uma obra de arte social a partir da interação com seu entrevistado, possibilitando as percepções de ambos. No entanto, a questão que deve ser levantada é: o que vem a ser essencial? O jornalismo que preza a informação objetiva e imparcial ou aquele que visa o interpretativo e subjetivo? A autora responde que a “total objetividade” é uma ingenuidade e defende que “é preciso usar nosso traço humano”, citando Edgar Morin para explicar que quando o homem criou a consciência da morte, eliminou a ideia do “puro ser objetivo” como uma defesa à própria morte. Com a construção do mundo subjetivo, a autora afirma que torna impossível a “total objetividade”. Ingenuidade, então, não seria acreditar que a o envolvimento do repórter com o entrevistado poderia gerar uma matéria genuinamente parcial? Pelo menos, a tentativa de um texto informativo traz comprometimento com o público, e não com a fonte.

.

Esse texto foi um trabalho de faculdade em que a professora exigiu uma crítica negativa. Na verdade, eu gostei bastante da ideia proposta pela autora. Mas não poderia deixar de concordar que existe certas linhas possíveis à reflexão. A lição que tive é que nada pode ser totalmente positivo, assim como nada pode ser totalmente negativo. Não se pode concordar com tudo, ao mesmo tempo que não se pode discordar também.

No dia 29 de abril de 1980 morria um cânone do cinema mundial. Causador de arrepios e frio na espinha, não é possível contar quantas pessoas já foram embaladas pelos mistérios de Alfred Hitchock.

Por William Creamer - "Psycho" (1960) Janet Leigh

Multidões foram surpreendidas  com os belos finais e fascinadas com as tramas, até perderem a conta das inúmeras vezes que sentiram calafrios.  O cineasta inovou o cinema com técnicas até hoje utilizadas por profissionais da área.

O suspense ficou famoso por merecida genialidade. Em vez de deixar o espectador esperando pelo desfecho, usava elementos durante o desenvolvimento do filme capaz de gerar expectativa na hora certa.

Seus personagens  costumavam demonstrar  uma ansiedade crescente durante a trama, até, finalmente, o momento clímax surgir. Além disso, para alimentar ainda mais o suspense, Hitchcock investia em efeitos de luz, som e ângulo.  A criatividade também era um outro trunfo. Em “Psicose” (Psycho – 1960), por exemplo, para fazer o sangue de Marion Crane (Janet Leigh) foi utilizado calda de chocolate e o som das facadas, na realidade, é feito em um melão.

"Rear Window" (1954) James Stewart como Jeffries - IMDB

Os filmes hitchcockianos tinham  personagens com   características peculiares. Em alguns filmes, as masculinas,  tinham a tendência de apresentar conflitos o relações estranhas com suas mães. Já as  personagens femininas, em geral, eram loiras e meigas, entretanto, se apaixonadas, poderiam se tornar perigosas. Além disso, Hitchcock tinha figurinhas carimbadas em seu elenco, atores como Cary Grant, James Stewart e Grace Kelly.

As inovações de Hitchock não pararam por ai. Ele criou um termo para elementos que não são importantes na trama, mas que têm sua função, como a de levar os personagems ao conflito principal. O conceito foi denominado de “MacGuffin” e é essencial por dar a oportunidade ideal para que o enredo se desenvolva. Além disso, outro fator inovador era a participação passiva do cineasta em determinadas cenas. Hitchock apareceu na

"Rebecca" (1940) Joan Fontaine, Judith Anderson

maioria dos seus filmes nos mais variados papeis de figurante, lendo um jornal ao canto, atravessando a rua ou simplemente como um passageiro de um trem.

Não é à toa que o diretor leva o título de “mestre do suspense” até hoje, em pleno século XXI. Já se passaram milhares de  obras que também mudaram a história do cinema e, mesmo assim, Hitchock continua causando profundas sensações de ansiedade no espectador.

Alunos reclamam, mas boa parte das queixas não chega aos ouvidos dos diretores

Fotocopiadora do campus Edson Machado do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) recebe reclamações por filas demoradas e computadores insuficientes, mas os responsáveis não têm controle da situação por falta de iniciativa dos estudantes

08h40min da manhã. Muitos alunos criam um tumulto em frente à bancada da fotocopiadora da empresa terceirizada Panacopy, responsável pelo serviço de impressão do IESB. Alguns querem apenas imprimir, outros querem tirar cópia ou encadernar algum documento. Mas a frustração é geral, a recepção dos funcionários é demorada e o número de pessoas aguardando para serem atendidas se acumula com o tempo. “O atendimento é muito devagar, deveria ter mais pessoas para ajudar os alunos, principalmente nas horas de pico”, afirma a aluna do segundo semestre de Jornalismo, Keury Almeida (19).

O quadro também incomoda os funcionários, já que o fluxo é superior à capacidade dos dois únicos encarregados pela unidade de foto-reprodução. Acreditam que para resolver o problema do inchaço nos horários de maior uso é necessário adotar novas medidas. Para melhorar, seria interessante mais um funcionário ou outra copiadora para distribuir melhor o fluxo de alunos”, declarou Alan Bruno (21), atendente da empresa.

Um dos funcionários da ouvidoria da instituição, Elvis Araújo (25), informou que poucos alunos reclamam sobre o mau funcionamento da reprografia. “Há queixas, mas são poucas as que chegam para nós. Os alunos não fazem reclamações formais”, defendeu.

Dos 20 alunos entrevistados, apenas uma respondeu estar satisfeita com o serviço de foto-reprodução oferecido pela faculdade, e alegou não frequentar tanto o local, apenas quando a impressora que tem em casa apresenta defeitos. Boa parte dos estudantes tem consciência da desorganização, mas apenas uma pequena parcela afirmou já ter se queixado na ouvidoria.

Outro problema notável é a falta de conscientização entre os estudantes para o uso dos computadores. Muitas pessoas utilizam as máquinas para outros fins, que não os estipulados pelas regras da copiadora. Conheço as regras e as cumpro. Diferente de algumas pessoas que deixam para formatar e revisar seus documentos nos próprios terminais de acesso antes de serem impressos, o que é vetado pelo regimento da reprografia”, afirma um dos alunos que frequentam diariamente o local, André Ribeiro (19), estudante do terceiro semestre de Jornalismo. O painel com as informações encontra-se na parede em frente aos computadores, mas mesmo assim, muitos insistem em desrespeitá-lo. Uma aluna do primeiro semestre de Publicidade utilizou uma das máquinas de 09h55min às 10h33min, período em que há maior movimentação. Essa atitude colaborou para o congestionamento na fila. “Sempre que eu vou à copiadora tenho algum problema porque as pessoas a utilizam de forma inadequada. Não tem fiscalização, reforça a estudante do segundo semestre de Jornalismo, Lidyane Barros (19).

Os computadores são alvo de mais queixas. Apenas quatro máquinas estão disponíveis para todos os 7138 alunos (dados de 27/10/2009) do campus.Muitos trabalhos, muitos cursos, muitos alunos, filas quilométricas, e somente quatro computadores”, declara Victor Correia (19), estudante do terceiro semestre de Jornalismo. Além disso, vários estudantes reclamam de máquinas quebradas ou desligadas, diminuindo ainda mais o número de computadores. O atendente da fotocopiadora, Alan Bruno, declarou que a instituição era a responsável pela manutenção dos terminais. Em contrapartida, um dos técnicos em manutenção de informática do IESB afirmou que essa tarefa era parte também da Panacopy, embora a faculdade preste pequenos serviços emergenciais para não agravar o quadro das filas. Defeitos em software ou de rede são concertados pelo IESB, mas defeitos mais graves são reparados pela própria Panacopy”, afirma o técnico. No entanto, os alunos continuam inconformados com o sistema empregado. “Já foi verificado no começo do semestre apenas um de quatro computadores em funcionamento durante uma manhã inteira. Ninguém veio arrumar essa emergência”, sustenta Lidyane Barros.

O diretor administrativo do campus, Lutero Leme, assegurou que periodicamente faz reuniões com os responsáveis da empresa terceirizada, a fim de avaliar como os problemas estão sendo solucionados. Afirmou, ainda, que novas propostas estão em andamento. “Estamos refazendo o layout do espaço de reprografia. Os computadores ficarão junto ao balcão, para não haver o uso indevido e agilizar o envio de arquivos”, afirma Leme. Apesar disso, o diretor disse que não há planos para ampliar o número de computadores.

As reclamações não se limitam apenas ao campus Edson Machado da Asa Sul. Relatos de pessoas em desacordo com o mesmo serviço no campus Giovanina Rímoli, da Asa Norte, também são pertinentes. “A copiadora em sua função é boa, mas não supre as necessidades de todos os estudantes, cuja quantidade não é proporcional à capacidade oferecida pela faculdade”, lembra Larissa Gusmão (21), estudante do terceiro semestre de Direito do campus norte.

Isabella Corrêa e Jefferson Bispo

Revista da Cultura

Liderada por Pedro Herz, dono da grande Livraria Cultura, a “Revista da Cultura” poderia até ser considerada, precipitadamente, uma revista criada para fazer forte publicidade da própria empresa, o que é natural. Mas a maior loja do país no gênero se tornou símbolo de cultura em todos os sentidos. Além de espaços para atrações musicais e teatrais, há também palestras educativas e exposições de fotografia e arte, entre outros eventos. Com a revista não poderia ser diferente. A ilustrada esbanja informação de qualidade e demonstrações de conhecimento cultural.

O conteúdo aborda, mensalmente, assuntos relacionados a literatura. Porém, abre grande espaço para as outras vertentes culturais, tais como a música e a arte em seções destinadas a perfis, artigos, entrevistas e reportagens fazem das páginas da revista um convite refinado ao saber, sem subestimar o senso crítico de quem lê.

A linguagem, cabe aqui destacar, é simples e irreverente, de tal forma que o leitor passa o olhar pelas linhas do texto como se estivesse lendo uma literatura leve e contínua. Dessa maneira, é possível que qualquer pessoa consiga absorver a informação sem maiores dificuldades. Entretanto, embora simples, a profundidade do conteúdo não é menosprezada.

É  claro que a revista da Cultura aproveita as publicações para mostrar o melhor da loja. Seções como “Ler para ser”, no qual clientes comentam suas compras. “CDs, DVDs E Livros” são outras páginas nas quais personalidades da mídia recomendam suas preferências culturais, o que, indiretamente, é uma forma de mostrar vários produtos como sugestões de compra. Além disso, ao final de cada edição surgem, de fato, as propagandas. Lançamentos e mais vendidos são os destaques. Eventos e principais acontecimentos do mês também ganham lugar nas últimas páginas.

A revista da Cultura está nas mãos dos clientes desde 2003 e é distribuida gratuitamente em todas as unidades da loja. A única oferta paga é para quem quer assinar e receber em casa, com uma taxa anual de R$49,00. É possível ter acesso no site da Livraria Cultura e ainda receber por e-mail, na íntegra, só que na sua versão on-line, sem o cheiro habitual de impresso.