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Archive for Maio, 2009

Foto: Paulius Sadauskas

Foto: Paulius Sadauskas

O jornalismo pode ser considerado como uma fonte de vigilância dos campos sociais, políticos e econômicos. É uma forma de “proteger” os cidadãos através da transparência na qual preza a profissão.

Os valores que hoje são empregados dentro da área são frutos adquiridos desde o início de seu desenvolvimento, quando nem se pensava na importância que causaria para a atualidade. O jornalismo precisava se legitimar e garantir a confiança da opinião pública. Para isso, surgiram características próprias necessárias no seu exercício. A objetividade, concisão, clareza, impessoalidade, e acima de tudo, a verdade foram ganhando espaço para o estilo de reportagem.

A verdade, como papel principal do jornalista, deve ser preservada independente de quem está sendo envolvido na notícia. Ele tem um compromisso com milhares de pessoas todas as manhãs, e precisa se certificar de que pode informar o público sem barreiras na comunicação. O profissional tem que levar o bem comum como prioridade na hora de apurar e publicar sua matéria.

A maneira utilizada para buscar as fontes é uma questão que pode ou não fugir a conduta ética, no entanto, muitas vezes é necessário ir contra a regra. Afinal, é seu dever levar a informação ao público, que depende desse veículo para ter o mundo mais perto de si. A pior maneira de infringir a ética não é subornar para obter uma informação, mas receber para não publicá-la.

O repórter pode não seguir o código, mas não significa que sua ação seja errada, desde que para um bem maior: o público leitor. O jornalista prefere ferir a sua conduta, roubando ou se passando por outra pessoa do que ir contra a regra de informar.

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William R. Hearst, em 1906. Wikipedia

William R. Hearst, em 1906. Wikipedia

Para fãs, curiosos ou apenas interessados em saber que fim levou Orson Welles no cinema, é indispensável o documentário A batalha por cidadão Kane. Produzido nos Estados Unidos em 1996 pela emissora de TV PBS, mostra a trajetória de Welles após o lançamento do filme Cidadão Kane, além de comentários do próprio cineasta e entrevistas a respeito do “personagem” real da história do filme, William Randolph Hearst.

No documentário, a personalidade de Hearst é reforçada como magnata das comunicações, responsável pelo monopólio do  mercado da imprensa e surgimento do “jornalismo amarelo”, conhecido no Brasil como “imprensa marrom” por ser sensacionalista e manipulador. “Quando seu artista Frederic Remington chegou a Cuba, em 1897 para cobrir uma aguardada guerra entre Espanha e Estados Unidos e viu que não havia guerra nenhuma, pediu permissão para voltar e dizem que Hearst respondeu: – Arranje as imagens, que eu arranjo a guerra.” Disse o apresentador David McCullough, logo no início.

O poder de Hearst era tão grande que fez Welles sair das páginas dos jornais, o que significava sumir aos olhares do povo. Foi perseguido pelo empresário até que o caminhasse rumo à decadência. O cineasta chegou a receber propostas para uma possível compra dos negativos, entretanto, a paixão de Welles falou mais alto. Aquilo que parecia ser a nova sensação da época acabara por chegar ao alcance da população sedenta por inovação e conhecimento.

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Orson Welles em 1937.

Orson Welles em 1937.

Nascido no dia seis de maio de 1915, George Orson Welles foi considerado uma das maiores personalidades que revolucionou o cinema. Causou polêmicas, foi inovador e trouxe novas perspectivas para a sétima arte. Ficou famoso pela produção de “Cidadão Kane”, considerado pioneiro em um novo estilo cinematográfico, utilizado até hoje.

Welles foi responsável pela transmissão de “Guerra dos mundos”, de H.G. Wells nas rádios. O programa foi ao ar no dia 1º de novembro de 1938 e tinha o “truque” de induzir as pessoas a esquecerem que se tratava de algo fictício, apresentando notícias em intervalos durante a programação musical. As notícias relatavam um suposto ataque extraterrestre, reforçando informações a cada interrupção. A repercussão foi tão intensa que as pessoas, em sua maioria, acreditaram que havia uma invasão de seres não identificados à Terra. No dia seguinte, Welles e sua equipe receberam inúmeros processos em função do pânico gerado na população e por manipularem o desenvolvimento do programa a ponto de parecer verídico. Em conseqüência, foram demitidos da rádio. Durante o período de uma hora, pessoas foram aterrorizadas pelo suposto ataque alienígena. A maneira como o radialista manipulou os ouvintes para conseguir ver qual seria a reação do público é questionada até hoje. Após o acontecimento, Welles influenciou as futuras gerações que ainda o reconhecem como um revolucionário do cinema.

Orson Welles foi exemplo de ousadia desde seus primeiros trabalhos. Em “Cidadão Kane”, ele inova em técnicas cinematrográficas tirando o conceito de sequência cronológica, mudando o ângulo das câmeras e os padrões de narração, por exemplo. O filme relata a história de Charles Foster Kane, mergulhado na sua riqueza material ao mesmo tempo que enfrenta conflitos pessoais ao deparar-se com a solidão. O personagem, constata-se, foi baseado na vida de Willian Hearst, dono manipulador de um dos maiores jornais da época. Hearst ofereceu dinheiro pelos negativos e fez com que Welles fosse tirado das notícias do seu jornal.

Desde a “Guerra dos mundos”, viu-se que Welles era ousado e não se sentia intimidado diante de desafios e ameaças. Foi consagrado e respeitado como cineasta, roteirista, produtor e ator. Morreu em 10 de outubro de 1985 deixando um legado para os fãs de cinema.

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Peça "O invisível" fotos: Lenise Pinheiro

Peça "O invisível" fotos: Lenise Pinheiro

A peça teatral “O invisível”, de direção de Maucir Campanholi e texto de Samir yazbek, estreou em 2006, no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (SP). Aborda através de um elemento dialógico, a questão da falta de percepção ao próximo. Na fábula, dois personagens fazem a trama amadurecer, o senhor que se torna invisível e se vê a margem da sociedade pela sua dificuldade em encontrar alguém que perceba a sua imagem,  interpretado pelo ator Helio Cícero. O jovem publicitário, encenado por Duda mattos,  acredita que a única forma de vencer na vida é passando por cima dos outros, não existindo quem realmente sinta empatia pelo outro no mundo onde é “cada um por si”.

Em um parque comum de cidade grande, o homem que se diz invisível pede ajuda a um jovem publicitário, afirmando ser  este o único que pode enxergá-lo. Ele conta sua história ao mesmo tempo em que se questiona sobre a sua individualidade. Durante o diálogo, revela que foi se afastando das pessoas e desaparecendo pouco a pouco, até perceber que estava invisível. Acreditava veemente na capacidade das pessoas em ajudar o próximo e pediu ao publicitário que o fizesse entregando uma carta ao filho. Já o jovem, recusou a proposta logo na primeira oportunidade e acusou o invisível de se aproveitar da condição de ser visto apenas por ele.

A discussão cresce de tal forma que os papéis se invertem, o publicitário se vê no mesmo caminho do senhor, pois fugia das questões em que envolviam relações interpessoais sem se importar com as consequências do isolamento.

A peça se baseia em dois aspectos fundamentais do teatro, a palavra e o ator. Esses elementos fazem com que o diálogo seja o grande patamar da história, não levando a importância para ações e acontecimentos. A discussão dos personagens sobre a dificuldade de relacionamento e percepção do outro leva ao espectador a opção de defender o seu pensamento e refletir sobre ele. A divergência de opiniões entre o senhor invisível e o jovem publicitário cria o clímax que leva ao questionamento. Um mostra não se importar com o próximo ,enquanto outro, ao se deparar frente a frente com a dor da indiferença, tenta passar para o jovem a importância de se perceber quem está ao lado.

O espetáculo entra em choque com diversas questões atuais, entre elas, a essencialidade de olhar para si mesmo num mundo onde a pressa e a falta de empatia tomam conta dos dilemas pessoais do cotidiano.

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No Correio Braziliense desta sexta-feira, dia do trabalho, veio a público a notícia de que a Lei da Imprensa foi “derrubada”. A votação aconteceu ontem, quando sete dos 11 ministros afirmaram ser necessária a anulação da Lei que estabelece a censura prévia dos meios de comunicação e apreensão de publicações, medidas mais duras para penalidade contidas no Código Penal, entre outros fatores. Dos quatro membros que não defendiam a mesma opinião, três queriam manter parte do texto e apenas um, Aurélio Mello, preferiu preservar toda a matéria.

A discussão foi iniciada em 1º de abril, desde que o relator, Carlos Ayres Britto, e Eros Grau levantaram a questão. “A liberdade de imprensa não se compra com uma lei feita com a preocupação de restringi-la, de criar dificuldades ao exercício dessa instituição política”, afirmou Menezes Direito, primeiro ministro a votar.

Joaquim Barbosa, que na semana passada foi centro de discussões com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a retirada da maior parte do conteúdo, porém disse que a revogação total da Lei se tratava de uma medida radical. “A imprensa pode ser destrutiva não apenas em relação a agentes públicos. Pode destruir vidas de pessoas privadas, como temos assistido nesse país”, declarou.


O que muda com a revogação da lei:

A Lei de Imprensa entrou em vigor em 14 de março de 1967, no final do governo Castello Branco. Ela tem sete capítulos e 77 artigos. O texto é apontado por muitos como defasado e em desarmonia com a realidade atual. A lei previa prisões e multas pesadas contra profissionais em casos de injúria, calúnia e difamação.
As decisões, agora, deverão ser feitas com base na Constituição e nos códigos Civil e Penal, que preveem penas mais brandas. Jornalistas e veículos de comunicação também poderiam ser processados se publicassem algo que ofendesse “a moral pública e os bons costumes”. A revogação do texto altera ainda a indenização para crimes de danos à imagem e à honra. O artigo 51 previa valores entre dois e 20 salários mínimos, enquanto o Código Civil e a Constituição Federal não estabelecem limites.
Também mudou o direito de resposta. A lei dizia que toda pessoa, órgão ou entidade pública a “cujo respeito os meios de informação veicularem fato inverídico ou errôneo” têm direito a resposta ou retificação. Agora, os juízes terão que analisar caso a caso. (MD)

Correio Braziliense, sexta-feira, 01 de maio de 2009.

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