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Archive for Julho, 2009

Os sete abutres…

De forma chamativa, o pôster imita uma capa de jornal.

Lançado em 1951, o filme “A montanha dos sete abutres” (Ace in the hole), de Billy Wilder, ainda traz uma narrativa atual aos olhares jornalísticos. O filme não trouxe muitas expectativas às bilheterias da época, mas se tornou uma grande obra para o Jornalismo. Além de abordar as questões sensacionalistas dentro da imprensa, abre o debate para a ética no exercício da profissão.

A saga começa quando Charles Tatum (Kirk Douglas) entra para a redação de um pequeno jornal em Alburqueque (Novo México – EUA).  Por ser ambicioso e oportunista, o jornalista se sente cansado porque “nada” acontecia naquela cidade pacata. Um belo dia, ele e seu companheiro Herbie Cook (George Arthur) descobrem um furo de reportagem. Um homem preso dentro de uma montanha em ruínas. O local era um ponto turístico da cidade vizinha, conhecida pela habitação de índios. O incidente fez parecer (para alguns) que os espíritos indígenas estavam insatisfeitos com a visita do homem curioso à montanha dos sete abutres. A partir desse momento, Charles faz um pequeno acontecimento se tornar “bombástico” e histórico. As  suas atitudes se mostram inescrupulosas  a tal ponto de fazer com que a equipe de resgate prolongasse seus trabalhos de três dias para uma semana, a fim de aumentar o sensacionalismo do caso.

Charles acreditava fielmente que o real conhecimento do Jornalismo não podia ser ensinado dentro de uma sala de aula. A sua formação como jornalista fora feita ,na verdade, enquanto exercia a profissão e todo o seu aprendizado conquistado fora da faculdade.

“Um homem vale mais do que 84. Pega-se um jornal, lê-se sobre 84 ou 284 homens. Ou um milhão, como numa fome na China. Você lê, mas não fica contigo. Mas com um homem só é diferente. Você quer saber tudo sobre ele. Isso é a curiosidade humana”, assim acreditava Charles “Chuck” Tatum. O fato surgiu, mas ele fez a história acontecer. Manipulou cada detalhe para que tudo causasse comoção e curiosidade, para que aquela reportagem se tornasse a grande jogada e ele o grande repórter.

Até onde vai a capacidade de persuasão e manipulação de um profissional para obter auto-promoção barata? Onde fica a informação pura, sem segundas intenções? Mover moinhos por um único objetivo egoísta, sustentar mentiras, aumentar o grau das notícias, inventar e alienar o pensamento de uma população. Casos de assassinatos que perduram por semanas  na televisão, como acontece atualmente. Sequestros, roubos e mortes. A tragédia se tornando notícia banalizada, virando novela e caso para livro ou filme. Fatos como o do ônibus 174, Isabella Nardoni, Eloá, morte do Michael Jackson, etc etc, se tornaram populares e entraram nas casas brasileiras como símbolos de pena e compaixão. Isso não é realidade.

O filme de Billy Wilder é extremamente atual e nos faz pensar na atitude de alguns (ou vários) profissionais (não só jornalista necessariamente, porque o que tem de vigarista por aí!) que estão em atividade hoje. Esse longa é essencial  tanto para aqueles que desejam trabalhar na área como para aqueles que querem entender as questões éticas.

A dúvida que fica no final de tudo isso é saber quem são os reais abutres envolvidos no caso da montanha, e quem são os verdadeiros abutres do nosso jornalismo.

A minha intenção inicial era fazer uma resenha sobre o filme “A montanha dos 7 abrutes” (Ace in the hole) de Billy Wilder. No entanto, resolvi escrever uma reflexão a respeito do tema. Lançado em 1951, a narrativa ainda se mostra atual aos olhares jornalísticos. O filme não trouxe muitas expectativas às bilheterias da época, mas se tornou uma grande obra para o Jornalismo. Além de abordar as questões sensacionalistas dentro da imprensa, abre o debate para a ética no exercício da profissão.

A saga começa quando Charles Tatum (Kirk Douglas) entra para a redação de um pequeno jornal em Alburqueque (Novo México – EUA).  Por ser ambicioso e oportunista, o jornalista sempre se sentiu cansado porque “nada” acontecia naquela cidade pacata. Um belo dia, ele e seu companheiro descobrem um furo de reportagem. Um homem preso dentro de uma montanha prestes a desmoronar. O local era um ponto turístico da cidade vizinha, conhecida pela habitação de índios. O incidente fez parecer (para alguns) que os espíritos indígenas estavam insatisfeitos com a visita do homem curioso à montanha dos sete abutres. A partir desse momento, Charles fez um pequeno acontecimento se tornar “bombástico” e histórico.

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Divulgação

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Barton Fink não é necessariamente uma comédia, drama ou suspense. Pode-se dizer que tem certo ar de humor negro, ironia (bem dosado, ou não) e construções dialógicas interessantes. O jogo de palavras traduz tudo que o filme quer passar, principalmente para aqueles que acharem as cenas meio “bizarras” ou “insanas” a primeira vista. Dirigido pelos Irmãos Coen (oficialmente por Joel Coen), foi lançado em 1991.

Delírios de Hollywood, assim intitulado em português, conta a história de Barton Fink (John Turturro), um jovem roteirista de teatro, aclamado pela crítica por suas peças em Nova York. Com o sucesso, surge a proposta  de escrever roteiros cinematográficos em Hollywood. Contrariamente a sua estética literária, é exigido que escreva um filme lado B de luta livre. Ele se hospeda em um hotel de segunda categoria (mostrando ironicamente o estereótipo do “grande escritor” que sofre para escrever) a fim de um isolamento propício para trabalhar com tranquilidade. No entanto, Barton passa a sofrer um bloqueio criativo e não consegue evoluir dentro de sua história. Para piorar a situação, o escriba conhece o vendedor de seguros, Charlie Meadows (John Goodman), seu vizinho de porta. Os dois travam uma relação amigável, mas aquilo que parecia ser uma bela amizade se torna em um pesadelo para Barton.

Está claro que o filme satiriza as produções Hollywoodianas e os arquétipos ideais, como o próprio personagem central. Um escritor jovem, intelectual ambicioso, que pensa ser um real criador, mas com problemas dentro de um sistema social. No entanto, o longa demonstra diversas mensagens e sinais subliminares que remetem ao entendimento do que se trata a narrativa.

O ano em que se passa o longa (1941) foi o mesmo do lançamento de “cidadão Kane”, outro fator pensado pelos diretores para ironizar o sentimento de Barton. Ele acreditava que seria o que “Orson Welles” foi para o cinema. O filme que foi pedido a ele, era direcionado a massa. Filmes com pouca história, mas com cenas abusivas, para entreter. Era nisso que ele apostava no teatro e não conseguiu fazer no cinema. O seu roteiro não terminou com lutas físicas, mas com lutas simbólicas e subjetivas, interiorizadas ao homem comum. O que ele escreveu mostrou que ele não conseguia entender o esqueleto de uma história pronta, fácil, com modelos já determinados, para o cidadão comum.

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