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Archive for Novembro, 2010

Por Isabella Corrêa e Sílvia Mendonça

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília no dia  20 de novembro de 2010

 

Entre os livros da série Harry Potter, roupas personalizadas, buttons de personagens e muita disposição, dezenas de fãs mal se agüentavam de tanta expectativa no hall do cinema Pier 21. A pré-estreia da primeira parte do último filme da saga, Harry Potter e As Relíquias da Morte, estava previsto para começar exatamente às 23h55 min da noite de quinta-feira.

Tatiana Casanova, 15 anos, as irmãs Joana, 15 anos, e Luíza Lapa, 20 anos, e João Paulo Azevedo, 15 anos, conseguiram ser os primeiros da fila, que se arrastava até a praça de alimentação. A sensação de viver mais do que nunca a história de Harry Potter, sentir que se faz parte de toda a trajetória e de acompanhar uma das criações literárias juvenis mais bem sucedidas dos últimos tempos emociona os fãs. “Esse é o momento, esse é o melhor momento”, comenta Joana. “Vai ser o melhor, apenas”, reforça.

 

Foto: Isabella Corrêa

Quando a primeiro volume da saga chegou às livrarias, em 1997, pouco se imaginava que o sucesso estrondoso se estenderia até o ano de 2010, em que convenções de milhares de crianças, adolescentes e até adultos esperam horas em uma fila para pegar o melhor lugar na sala de cinema e não perder nem um minuto da emoção de assistir ao filme. “Estamos planejando esse dia há muito tempo, desde a estreia do livro. É uma expectativa gigante. A gente chegou às 13h, não tinha ninguém. Daí falamos: ‘Ah, somos os únicos’, mas agora nós somos os primeiros, a fila vai até a escada. É uma prova que a gente ama muito”, conta com entusiasmo Tatiana. “Estou com muita expectativa. A gente veio da escola, estou horrível, mas nem me importo mais, só quero ver o filme porque se não eu morro”, desabafa João Paulo, sem desanimar.

A adolescente começou a publicar em uma de suas páginas pessoais na internet a contagem regressiva para o lançamento do filme desde que tomou conhecimento da data de estreia no Brasil. A jovem publicava notícias, vídeos e qualquer informação adicional que saísse na mídia. “Como que está minha expectativa? Eu estou morrendo! Falta uma hora e eu estou esperando por esse dia há 365 dias. Estou morrendo, estou ótima”, conta, em êxtase.

Para muitos, o fascínio pela série de livros não passa de brincadeira ou fase, mas “o caso” é bem mais sério do que se pensa. “Vou para a premier em Londres da segunda parte do último filme, estou juntando dinheiro. Eu já falei para a minha mãe: ‘Não me dá presente de natal, eu quero dinheiro; coloca na poupança'”, confessa Tatiana. A fã assumida conta que quando revelou a mãe o seu plano para ser a primeira da fila, ela lhe sugeriu algo nada comum. “Eu disse a ela: ‘Olha, eu vou às 13h para a pré-estreia, tá?’ Mas quando eu falei que a sessão começava meia-noite, ela perguntou: ‘Você não quer o telefone da psicóloga, minha filha?'”.

Nem mesmo o atraso da sessão – muitas pessoas guardaram lugares para outras que ainda não estavam na sala, gerando confusão entre os presentes – desanimou o grupo de fãs que esperava desesperado pelo início da sessão. A cada minuto ouvia-se “faltam dez minutos” e, quando a tradicional música de início dos filmes começou, gritos intermináveis irradiaram os quatro cantos da sala.

Mesmo depois de tanta euforia, após os sete livros lançados e sem a perspectiva de novos por vir, as adolescentes se mostram preocupadas com o fim da saga cinematográfica: “Eu vou sentir um vazio, eu não sei o que vou fazer quando sair da sala de cinema. Vou estar feliz por estar assistindo, mas vou estar triste porque vai ter acabado. Não vai ter mais a expectativa das pré-estreias. Eu sei que é o fim de uma saga e o início de uma lenda, só que vou sentir falta”, desabafa Tatiana.

Quando o filme terminou, somente ela e os amigos estavam na sala. Com orgulho afirmavam: “Fomos os primeiros a entrar e os últimos a sair”. “Estou com o cheiro da pré-estreia, não quero sair daqui”, repetia a jovem. Sem hesitação, ela gritava: “passa de novo!”. As considerações finais não poderiam ser diferentes de quem esperava algo mágico dos filmes. “Superou muito as nossas expectativas, foi tudo perfeito”.

Ainda aos seis anos de idade, Tatiana foi introduzida às aventuras do bruxo Harry Potter pela irmã mais velha. “Minha irmã começou a ler e a noite eu pedia para que ela lesse para mim também, só que ela encheu o saco e não queria mais. Eu aprendi a ler por causa de Harry, comecei a ler aí, era muito devagar, mas eu conseguia ler todos”, lembra a estudante.

Com Joana a história não foi muito diferente. “Eu comecei a ver os filmes com seis e a ler com nove”, conta a adolescente, também influenciada pelo entusiasmo e interesse vindos de outra pessoa da família. “A irmã dela ensinou pra ela que Harry Potter faz bem para a alma”, brinca Luíza.

“Eu vi o filme antes de ler, gostei bastante, mas não era viciada. Eu fiquei apaixonada mesmo quando comecei a ler”, conta Luíza. “Eu não conseguia deixar de divulgar para todo mundo, então eu divulguei para minha irmã. Eu ficava insistindo para ela ler, falava: ‘Lê, pelo amor de Deus, é a melhor coisa do mundo’, e ela ficava: ‘Não, mas é grande’, e eu falando para ela ler porque iria amar. Mostrei para os amigos dela, todas as amigas da minha irmã são viciadas porque eu as obriguei a lerem, e hoje elas adoram”, completa.

O texto também pode ser visualizado pelo link:  http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?id=310440&secao=V

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