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Archive for Maio, 2011

Cidadão ativo

Votenaweb facilita o acesso dos eleitores às leis e  Eulembro garante recordação sobre eleitos

Montagem retirada a partir das imagens fornecidas pelo site Votenaweb

Desde o aumento do acesso à internet no Brasil, o meio digital se tornou um caminho para fiscalizar a política e torná-la mais democrática, aproximando os cidadãos às decisões do Congresso Nacional e colaborando para uma nação mais crítica. Os portais Votenaweb e Eulembro levam o conhecimento simplificado de projetos de leis que estão em trâmite aos 16 mil brasileiros cadastrados e filtram as ações de cada político dentro das redes sociais.

 Criadas em 2009 por Fernando Barreto, as duas iniciativas fazem parte do projeto Webcitizen, que visa remover o hiato existente entre o cidadão e a política, além de despertar o sentimento de cobrança e vigia. “O que estamos procurando é aproveitar esse potencial da internet, essa horizontalidade, a abundância de informação, para construir pontes que transformem essa relação (político e cidadão) profundamente”, justifica.

Para o fundador, políticos deveriam ser parceiros do cidadão, além de ter as mesmas obrigações, compromissos e sonhos para construir o presente e o futuro da sociedade. A partir disso, ele uniu propostas para ampliar a participação da população, aproveitando o crescimento da web 2.0 (internet “participativa”, ex: redes sociais e wikipédia). As principais funções dos portais consistem em traduzir códigos políticos e acompanhar a ação dos representantes. “O Votenaweb surgiu de um problema que é a falta de transparência”, diz ele. “O objetivo do Eulembro é ajudar o cidadão a ter uma ‘memória de elefante’ para que se lembre de quem votou e acompanhe a atuação de seus candidatos”, complementa.

É possível ter acesso aos projetos de leis nos portais digitais de cada órgão do governo, mas isso acontece de forma pouco instrutiva e de difícil acesso. “Quando o cidadão encontra um projeto, o problema fica ainda maior, pois ele está escrito em ‘congressês’”, relata, sobre a linguagem complicada e os termos técnicos. Com o Votenaweb, a dificuldade diminui. “Temos uma equipe especializada que cuida da tradução dos projetos e resume em poucas linhas a essência deles”, informa. “Os assuntos políticos não podem ser vistos como burocráticos, solenes, já que eles fazem parte de  todo o nosso cotidiano”, defende Barreto.

No site, quando os projetos de leis são publicados, cada pessoa cadastrada pode votar simbolicamente a favor ou contra. Esse formato permite ao portal estabelecer um mapa da vontade do cidadão em relação à vontade do político de ver suas ideias aprovadas.

Nos dois portais o internauta tem o poder de ficar mais perto dos governantes. Além de poder comentar, eles podem enviar mensagens aos parlamentares que criaram projetos no Votenaweb e ver o que é realizado por eles no Eulembro. “A consequência dessa proximidade é o sentimento de pertencer àquela história e, por sua vez, de se comprometer, atuar e participar”, declara Barreto.

O Votenaweb conta com mais de 50% de público jovem e mais de 310 mil votos desde que entrou no ar. Para Barreto, esses valores são uma agradável surpresa e que vieram em pouco tempo. “É por isso que acreditamos que projetos como esse não são apenas um reflexo de como as pessoas vêem a política brasileira, eles são um espaço para transformar essa visão”, observa. O estudante de relações internacionais Reinaldo Alencar, de 21 anos, cadastrado no endereço desde o ano passado, concorda. “É uma forma não-filtrada de se ter acesso ao que acontece no governo. É mais ou menos o que diz no portal: ‘Vote e seja ouvido’”.

O jornalista americano Larry Rohter, no livro Deu no New York Times, afirma que ainda não há o peso do clamor da opinião pública sobre fatos que acontecem na política brasileira. Critica o fato de não existir memória nos eleitores e de ser ter como normal a expressão “a lei não pegou” na cultura do Brasil. A equipe de Barreto sugere, por meio dos portais, uma solução para esse problema. A ideia é que se cada cidadão souber o que os governantes fazem e entender o que acontece na política, haverá mais participação e, assim, mais conhecimento para julgar sobre leis que não “pegam”.

Barreto critica o fato de haver na política brasileira o conformismo sobre como a política gera benefícios ao cidadão. “A nossa cultura vê o governo como uma “vending machine” (máquina de venda de produtos). As pessoas colocam uma moedinha na máquina, que são os impostos, e devem receber serviços, como escola, hospitais, etc”, contesta. A proposta do idealizador também visa mudar essa maneira de pensar. “Queremos ver projetos realizados em parceria, coletivos e colaborativos. Uma divisão de responsabilidades  e consequentemente de realizações que não seja vertical”, completa sobre a importância da participação do cidadão na vida pública.

O estudante acredita que esse tipo de iniciativa pode gerar, ainda, outras soluções. “Ajuda a descentralizar a função de vigilância que é exercida pela mídia, que também possuí vínculos políticos”, diz. “Creio que ainda não se chegou ao ponto do site ser um instrumento de pressão política. Porém, ele tem essa potencialidade. O site simula o que seria uma democracia direta em tempos de internet”, completa.

Os sites podem ser acessados por meio dos endereços www.votenaweb.com.br e www.eulembro.com.br

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