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A sangue frio – Truman Capote, Companhia das Letras, 440 páginas, 2003.

Sobre uma nota de apenas duas linhas no jornal “The new york times”, o jornalista Truman Capote escreveu uma obra-prima do jornalismo literário. Leu sobre uma família que havia sido assassinada brutalmente no interior do Kansas (Texas, EUA) e, a partir disso, achou que daria uma boa matéria. Seguiu com suas malas até a cidade em companhia da amiga escritora Harper Lee (autora do livro “O sol é para todos”). Ao chegar ao local do crime, conversou com vizinhos, conhecidos e familiares e percebeu que aquela história daria bem mais que uma reportagem. Desde então começou-se uma das apurações mais profundas da história do jornalismo estadunidense.

O livro registra a história dos quatro membros da família Clutter, o Sr. E Sra. Clutter e seus dois filhos, Kenyon e Nancy. Paralelamente, apresenta os dois assassinos, Perry Smith e Dick Hickcock. Capote reproduz fielmente as cenas e traz detalhes minuciosos que comprovam a grande pesquisa feita pelo escritor. Desde uma descrição detalhada da cidade e da população, até dos próprios “personagens” envolvidos, revelando informações íntimas, que dificilmente se conseguiria sem uma consulta a própria pessoa.

“A tatuagem de um rosto de gato, azul e sorridente, cobria sua mão direita; em seu ombro, florescia uma rosa azul. Mais tatuagens, desenhadas e executadas por ele próprio, ornamentavam seus braços e seu tronco; a cabeça de um dragão com uma caveira humana entre as mandíbulas abertas; mulheres nuas de seios fartos; um diabinho brandindo um tridente; a palavra PAZ acompanhada por uma cruz que irradiava, na forma de traços irregulares, raios de luz sagrada; e duas criações sentimentais – a primeira um buquê de flores dedicado a MAMÃE-PAPAI, a outra um coração que celebrava o romance entre DICK e CAROL, a moça com quem se casara aos 19 anos…” O trecho descreve as tatuagens no corpor de Dick, um dos assassinos. Além disso, revela o cuidado de Capote aos detalhes, ao mesmo tempo que confirma a boa percepção de um jornalista literário.

Em 6 anos de apuração, Capote reuniu tantos dados, que poderia ter escrito um livro de até 2 mil páginas. Se julgava genial por ter escrito essa obra e, com razão, fez de seus “exageros”, uma realidade. Seu livro seria adotado por ele como “non-fiction novel”, ou simplesmente “romance sem ficção”. Entre muitos outros que surgiram anteriormente, esse certamente causou bastante alarde sobre a população, sendo campeão de crítica e venda quando lançado em 1966. Capote iniciou o que hoje se chama de “new journalism”, introduziu o jornalismo a literatura e trouxe um estilo novo de romance não-ficcional. Além dessas heranças, o escritor fez nascer a paixão em milhares de estudantes que sonham em unir o literário ao jornalismo e aprimorar a arte de contar histórias da vida real.

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A arte de ontem vista com olhos de hoje

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Por Isabella Corrêa e Sílvia Mendonça

Se dezenas de pessoas respondessem o que é arte hoje, pelo menos boa parte responderia com argumentos usados nos movimentos modernistas da década de XX. A cultura que vemos hoje teve influência direta com os movimentos de vanguarda. “O modernismo abriu o leque de possibilidades criativas, possibilitou a quebra de uma rigidez que existia até então no mundo das artes”, afirma Marisa Mendonça (21), estudante de cinema e artes plásticas.

A pintura, a literatura e a música trouxeram pensadores do moderno para exercerem funções drásticas de racionalização nos cidadãos, fazê-los pensar o que é arte. “O grande valor da arte, seja ela qual for, é gerar um pensamento”, disse certa vez o artista plástico Nelson Felix.  Hoje é cultuada uma cultura de âmbito industrial, o que faz gerar o questionamento sobre o verdadeiro valor da arte sobre os olhos de cada pessoa. “O modernismo nada mais foi do que uma grande ‘afrouxada’ nas amarras que possuíamos em relação a arte, toda aquela pompa, eixo, proporção, motivo, principalmente a arte europeia, da antiga escola, do mundo velho e todo aquele padrão, tanto estético como artístico”, definiu a artista plástica Louise de Londres (23).

O modernismo foi mal recebido e criticado pelas sociedades do século XX, viria a ser prova de que estas não estavam preparadas para transformações. “A diversidade de opiniões acerca de uma obra de arte evidencia que essa obra é nova, complexa e vital”, lembraria Oscar Wilde.

A professora de arte, Waléria Nascimento (45), afirma que o movimento modernista foi importante porque trouxe novos pensamentos e concepções de arte, antes com linhas clássicas e, posteriormente, com cores fortes e vibrantes, além de trazer grande expressão cultural, econômica e religiosa.

As vanguardas evidenciaram uma herança intelectual para a cultura de hoje de forma que sem elas não haveria tanta riqueza cultural. “O modernismo transformou a arte retirando-a do patamar de pura mímese para livre expressão do imaginário do artista”, conclui a arte-educadora e artista plástica Sara Siqueira (24).

Herança e criação de Villa Lobos

Se existe alguém que colaborou efetivamente para enriquecer a cultura brasileira, essa pessoa foi Villa Lobos. Adotou uma nova estética a música clássica e inovou diante dos padrões até então existentes. A velha mania de copiar a Europa em tudo fazia da música erudita brasileira um instrumento comum. Heitor Villa Lobos rompeu barreiras e foi considerado um dos principais representantes do modernismo na música brasileira. “Ele não é só o compositor brasileiro mais influente do Brasil, mas também pode ser comparado a muitos compositores europeus, ou um dos melhores de toda a música erudita”, revela o estudante de Relações internacionais e amante da música clássica, Reinaldo Alencar (19).

O compositor conseguiu unir o popular ao erudito e o erudito ao popular. Trouxe o chorinho, o folclore, os sons da natureza e o que há de mais brasileiro a sua música. Permitiu a utilização de instrumentos não-ortodoxos para o clássico, como o saxofone. Foi um dos poucos compositores que fez música para violão, além de trazer instrumentos de percussão para suas composições.

Villa Lobos, no entanto, não teve sempre o caráter nacionalista. Sua história na música começou com muitas influências européias, como Wagner, Puccine e principalmente por Bach, passando por um período neobarroco e sendo envolvido, também, pelos impressionistas. Foi modernista e participou da “Semana de arte moderna de 1922”, conhecida pela apresentação de um novo patamar na cultura brasileira, com inovações nas artes da literatura, música,  pintura, entre outros.

Foi considerado por muitos críticos como um legítimo nacionalista, defensor do Brasil. No entanto, opiniões diversas alegam que ele guardava uma aptidão pelo brasileiro e, apenas isto. “Para mim, Villa Lobos não se encaixava em nenhum estilo, simplesmente escrevia musica”, afirma o estudante.

Recentemente, o compositor completou o cinqüentenário de morte e teve sua herança musical lembrada pela mídia, músicos e admiradores de sua arte. “Villa-Lobos talvez tenha sido o mais brasileiro dos compositores brasileiros de música clássica. Pena que brasileiros não são muito bons em lembrar de brasileiros”, afirmou a jornalista Kelly de Souza, que escreve para o blog da livraria Cultura, em desabafo ao espírito pouco convidativo para a música erudita dos brasileiros.

Uma escritora de sensações

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Virginia Woolf (1882 – 1941), famosa escritora britânica modernista, é conhecida por sua literatura impressionista, descrevendo especialmente os sentimentos e as sensações. Uma de suas marcas registradas é o uso da técnica do fluxo de consciência, criado pelo escritor irlandês, James Joyce. Consiste em transcrever embates psicológicos internos de personagens sem a utilização de pontuação. Baseia-se na transcrissão dos pensamentos dos personagens, exatamente como acontecia na consciência deles, como uma maneira de trazer a tona tudo o que se passava na cabeça das pessoas envolvidas na obra, de uma forma extremamente interiorizada. O personagem refletia sobre diversas coisas e poderia mudar de pensamento na mesma hora  sem interrupção, como vírgula ou ponto. Além disso, com essa técnica, os personagens podiam passar por uma espécia de confronto com o próprio mundo, aquilo que acreditavam, e o mundo exterior em que viviam.

Woolf participava do grupo ”Bloomsbury”, em que acadêmicos e artistas ingleses discutiam temas como arte, literatura, o novo século, liberdade, o confronto com preconceitos, opções sexuais, viagens, perdas, casamentos etc. Estes eram favoráveis ao movimento francês dos boêmios e, depois da Primeira Guerra Mundial, o grupo se posicionou contra as tradições literárias, sócias e políticas da Era Vitoriana. Entre suas obras mais famosas estão As Ondas, Flush e Mrs. Dalloway, este último bastante conhecido pelo filme As Horas, baseado no livro homônimo de Michael Cunningham. Woolf também é reconhecida como defensora da causa feminista, chegou a escrever dois livros, de não ficção, a respeito do assunto: A Room of One’s Own (Um quarto próprio) e Three Guineas (Três Guinéus). Em março de 1041, tragicamente, Woolf cometeu suicídio após um colapso nervoso.

A ousadia de Duchamp

Qual o critério para que algo se torne arte? Beleza, tons, movimento, impacto, cores. Desde que Marcel Duchamp entrou para a história do modernismo do século XX, o conceito de arte mudou completamente. Sua técnica, ready-made, inovou os parâmetros artísticos da época. Diz respeito a uma manifestação em que um objeto industrializado é elevado ao valor de obra de arte, retirando as noções básicas de estilo e técnica artística. O que se questionava não era a beleza exterior do objeto como arte, mas sim o que isso representava. O exemplo mais clássico é a “Fonte”, apresentado ao Salão da Sociedade Novaiorquina de artistas independentes, em 1917. A obra era, simplesmente, um urinol assinado. O que Duchamp queria mostrar é que, um objeto visto como obra de arte tinha seu sentido modificado. Não era simplesmente um urinol, aquele objeto em um museu já não apresentaria o mesmo sentido se estivesse em outro ambiente, com intenções diferentes. “Será arte tudo o que eu disser que é arte”, afirmou certa vez o artista sobre o modo de definir e caracterizar seu estilo.

Duchamp queria chocar, no mesmo modo que implicava o movimento dadaísta. Tirar o objeto do seu habitual e transformá-lo em algo novo. “Ele tinha seu próprio estilo, inigualável, que foi libertador e fez com que a contemporaneidade assumisse a liberdade que faltava na modernidade”, afirma a arte-educadora e artista plástica Sara Siqueira (24).

A ideia entendida por ele e pelo movimento dadaísta era a de que havia necessidade do “choque” para que fosse possível inovar e transformar os conceitos referentes a arte. O artista queria, com tudo isso, criticar o modo “simplista” de ver a arte naquela época. Ele achava que a arte não deveria causar apenas uma sensação pelo visual, mas também pelo sentido e significado da obra. Não era seu estilo fazer objetos belos que causassem interesse estético.

Marcel Duchamp também tinha hobbies particulares e passou bom tempo de sua vida dedicando-se ao xadrez, jogo pelo qual era apaixonado. Nasceu em julho de 1887, na França, e veio a falecer em outubro de 1968.

Uma nova forma revolucionária

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Um dos maiores poetas russos foi Vladimir Maiakóvski (1893 – 1930). Aos 15 anos, Maiakóvski já se interessava pelo movimento revolucionário russo e ingressou no Partido Social-Democrático Operário Russo. Em 1910, entrou na Escola de Belas Artes e lá conheceu o pintor David Burliuk, com quem fez parte do grupo fundador do Cubo-Futurismo russo – vanguarda que combina o uso das formas cubistas com o dinamismo e inquietação do movimento futurista. Uma de suas criações foi a revista LEF – de Liévi Front (Frente de Esquerda) – que reunia escritores e artistas de esquerda na busca pela renovação social. Sua obra defendia ideais revolucionários e seus textos eram críticos e satíricos. Maiakóvski utilizava uma linguagem lírica, sem complicações. Além disso, suas tendências modernistas possibilitaram a abertura de um novo patamar para a arte da poesia. Ele chegou a escrever poemas comparando-se a usinas de aço, coisa que seria inimaginável em outros tempos, sendo considerado até mesmo uma ofensa à arte.

O poeta fez de seu trabalho não só um estudo para as artes, como para a política e as ideias revolucionárias da Rússia.  A forma clara na escrita, a sátira e o desejo pelo moderno fez com que Maiakóviski se tornasse  uma das maiores inflências da poesia russa. Ademais, como um dos principais participantes do movimento futurista de seu país, costumava dizer que “Sem forma revolucionária não há arte revolucionária”. Infelizmente, suicidou-se em 1930 com um tiro.

Os tons de Stravinsky

Em junho de 1982 nasce uma das 100 personalidades que influenciaram o século XX, segundo a revista Times. O russo Igor Stravinsky foi considerado um compositor inovador no modo como “regeu” sua música. Diante as suas três fases, ele teve um período em que fazia composições para balés, outro que abordava o neoclassicismo e o período serialista.

Influenciado diretamente por Schönberg, criador do dodecafonismo – estilo que inovou as técnicas de composição na música clássica -, Stravinsky pôde,  dessa forma, contextualizar a obra revolucionária que lhe daria um nome a lista do Times. Entre suas fases de voltar ao clássico e seguir com o moderno, ele adotou a criação de Schönberg, que era uma nova forma de composição. Antes as peças eram feitas com apenas um tom. Schönberg, a partir dessa técnica, quebrou tendências. O que antes se adotava, mudou para a utilização de outros tons, tocados ao mesmo tempo. No entanto, essa técnica trouxe estranhamento ao público, que não via teor estético agradável aos ouvidos.

Muitos tons tocados ao mesmo tempo significavam tom nenhum. Essa técnica rompeu com tendências já existentes.  O compositor foi então, adepto de técnicas como o serialismo, logo ao final de sua carreira.

Além de músico virtuoso, Stravinski tinha grande interesse por literatura, ao ponto de se tornar escritor de vários livros, incluindo uma auto-biografia, Chronicles of My Life, em 1936. A música selvagem e agressiva, porém rica, conquistou ouvidos por todos os cantos do mundo. A fuga da harmonia clássica e, ao mesmo tempo, a vontade por sons que revolucionassem a visão da música erudita da época, fizeram com que Stravinski provasse  o gosto por novas experiências musicais, se aventurando em novas formas harmônicas e chocando os públicos de onde tocava. O compositor viveu até Abril de 1971, perto de completar seus 89 anos de idade.

4 minutos e 33 segundos de silêncio

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O compositor e escritor norte-americano John Milton Cage foi um dos vanguardistas de sua época. Nasceu em Los Angles em setembro de 1912 e faleceu em  agosto de 1992. Sua matéria prima e inspiração é o cotidiano, a simplicidade. Cage ficou conhecido pelo seu experimentalismo musical e por ser pioneiro na música eletrônica. Sua peça mais famosa, e pela qual ficou notável, chama-se 4’33. Criada em 1952, trata-se de uma estranha composição. A gravação consiste em quatro minutos e 33 segundos sem qualquer instrumento tocando, os únicos sons possíveis de escutar são os ruídos e barulhos da platéia e do ambiente.

John Cage era conhecido por seu estilo estranho, diferente dos outros. Sua música era chamada de “música aleatória”, no entanto, o músico a caracterizava como “música de acaso”, no qual alguns elementos musicais eram deixados de lado (ao acaso), já que o próprio compositor se deu conta de que não precisava de tais estruturas dentro de sua música. Cage levou influência a aritistas de todas as partes do mundo e deu inicio ao movimento Fluxus, que reunia músicos e artistas plásticos. Sua “estranheza” mostrou que nem sempre a virtuosidade vem a partir do clássico e tradicional, exige criatividade e inovação, ter a liberdade para criar e nutrir a própria imaginação a fim de “modernizar” a arte. O que se pode dizer sobre  John Cage, no final das contas, é que sua ousada estética musical trouxe grandes influências para a música atual.

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Música de outros ouvidos:


artes desconhecidas


Ouvidos que não estão acostumados a escutar música diferenciada, passam sem perceber artes singelas que rodeiam uma sociedade. Já os que ouvem, sabem sentir com simplicidade uma música tocada em qualquer lugar que seja.


……………………………Por Isabella Corrêa, Giulia Batelli e Jefferson Bispo


Dia quente, pessoas correndo, tempo acelerado, bombardeamento de informações, filas enormes, aglomerações humanas. Os dias estressantes semeados pelas obrigações do cotidiano e o tempo que se torna cada vez menor, colaboram para que as pessoas esqueçam o belo que há em volta. O poder do dinheiro e a busca pelo prestígio fazem das coisas supérfluas, necessárias, e das coisas necessárias, supérfluas. Uma televisão ou carro do ano se tornam mais importantes do que alguns minutos ouvindo alguém tocar ou cantar, mais importantes do que apreciar um quadro artístico.

Há quem diga que para se ter acesso a cultura é preciso ter dinheiro, um carro e tempo. Na correria, as pessoas esquecem a infinidade de coisas que podem se tornar arte diante dos olhos. Para desfrutar a cultura não é necessário ir a um teatro, cinema ou concerto. As diversas formas de arte estão inseridas no dia a dia de quem mora dentro de um ambiente social razoavelmente civilizado. A cultura não é algo que se pode separar da sociedade. Ela cria uma sociedade sensível aos sentidos.  “O artista é criador de coisas belas. Revelar a arte e encobrir o artista é a razão de ser da arte”, já dizia Oscar Wilde. Existe arte em tudo, desde que haja olhos suficientemente capazes de enxergar, independente de quem a faz.

Brasília é um bom exemplo de arte oculta que se revela. Um lugar onde milhares de pessoas andam apressadas sem olhar para os lados, preocupados com o horário, com os compromissos inadiáveis, o engarrafamento e o salário no fim do mês. Sem precisar sair dos ambientes rotineiros, é possível ter acesso a cultura apenas prestando atenção ao redor. Existem bons artistas divulgando seus trabalhos nas ruas da cidade, mas não são vistos. De manhã cedo ao pegar um ônibus, no caminho para o trabalho ou escola, indo a um hospital ou clínica. Voltar de um dia exaustivo ouvindo alguém tocar na estação do metrô ou na rodoviária. Assim é a tentativa de alguns músicos da capital: tentar fazer surgir novos ouvidos e olhares para suas artes.

Um motorista na voz e violão

"A música é tudo para mim", declara Duda. Para ele, não há nada mais gratificante do que tocar, já que representa a própria vida.

Um público amigo. No meio da música acenos e sorrisos. Luiz de Pietro Vieira (48) canta com a alma. Tanto sua aparência quanto a sua voz lembram a do cantor Lulu Santos. Demonstra tranquilidade e serenidade diante do microfone. Sabe o que está fazendo. Toca desde Tim Maia até Geraldo Azevedo. Faz no improviso o que pedirem e o faz com graça e vontade. Com a ajuda de um violão, teclado e alguns efeitos sonoros, ele realiza um show para si mesmo no bar em que toca. Sob mesas cheias de clientes, poucos são os que prestam atenção e, a música acaba sendo para ele próprio.

Pietro tem dois trabalhos. É motorista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e toca às sextas-feiras, por volta das 19 horas, no bar Varanda’s, na 713 Norte.

Duda, apelido de infância pelo qual é conhecido, estudou três anos de violão de seis cordas no Clube do Choro. Sempre viveu de música, porém nos últimos três anos passou a trabalhar no MMA.

Pietro foi estimulado a estudar música pela família e por amigos que tocam. O motorista já guarda na história a herança musical, sua mãe foi cantora de rádio e seu avô tocava violão erudito. Além de cantar, toca cavaquinho, teclado e violão. O músico já embalou as pessoas com música popular brasileira em alguns eventos do MMA. “A música me completa. É tudo para mim, o ar que eu respiro” declara.

Duda é divorciado e tem três filhos. A exemplo do pai, dois de seus três filhos são músicos. Apesar de terem começado há pouco tempo, os meninos tocam cavaquinho, violão e um deles toca percussão. Costumam se apresentar em clubes. Ao contrário do que se pode pensar, Pietro não pensa em montar uma banda com os filhos. Quer seguir carreira solo. Já compôs músicas e pretende lançar um CD feito em “fundo de quintal”, como brinca. Quando perguntado sobre divulgação de seu trabalho na internet, Duda afirmou não ter vontade de publicar suas músicas neste cyberespaço, dizendo que muita gente se aproveita, e que quer divulgar seu trabalho de boca em boca.

Assista a performance do artista aqui:

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Música para amenizar a dor

"Quando eu toco uma música que lembra algo, as pessoas se emocionam", diz Alan Cruz a respeito do seu trabalho como voluntário.

O baiano Alan Cruz (23) é um dos 13 músicos da empresa de laboratórios Sabin e voluntário do Hospital Universitário de Brasília (HUB) na 605 Norte, além de tocar na Igreja Nossa Senhora de Fátima na última terça-feira do mês.

A maior paixão sempre foi a música. Seus familiares, sendo a maioria do ramo musical, o incentivavam a seguir o mesmo destino, pois viam nele o talento herdado. “Sou música até morrer”, revela o cantor e violonista.

O trabalho no laboratório Sabin o fez perceber que nem sempre as pessoas param para perceber uma arte. Ele afirma que ao mesmo tempo em que algumas pessoas apreciam quando ele toca músicas, outras não recebem tão bem por estarem preocupadas. “Como músico nós temos o papel de tranquilizar, porque já foi provado cientificamente que a música ajuda nessa parte de amenizar a dor”, revela. Este projeto de música no Sabin já tem oito anos, dos quais faz parte há um ano e nove meses. O intérprete faz trabalhos voluntários, dedica uma hora do seu dia para tocar em hospitais. Ele acredita que tocar para os doentes é um ofício muito gratificante. Se sente realizado em poder mostrar a música como uma realidade mais bonita. “É mais gratificante para mim do que para eles”, confessa o baiano em relação ao trabalho que realiza como voluntário na ala de quimioterapia do hospital. Cruz diz fazer voluntariado desde a época em que fazia catequese quando precisavam de alguém para cantar na igreja.

Nascido em Livramento de Nossa Senhora, Alan Cruz começou a tocar aos dez anos de idade. Veio para Brasília em 2005 estudar música. Inicialmente, Brasília não estava em seus planos. Suas primeiras opções foram Rio de Janeiro e São Paulo. No final de Dezembro de 2004, lhe foi feito um convite para estudar na Capital, ao qual aceitou de prontidão. Ao chegar à cidade, percebeu que não conseguiria viver somente de música. Começou a trabalhar no STJ (Superior Tribunal da Justiça) como mensageiro, embora soubesse que não era isso o que queria realmente. Em 2008, Cruz ficou sabendo que estava sendo feitos testes com músicos no laboratório Sabin. Não hesitou e fez o teste, ao qual passou e pôde, enfim, deixar o emprego no STJ.

Assista a performance do artista aqui:

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Boa música nos ônibus

"Quando é dia de pagamento todo mundo compra. Ai quando não é, só dão um trocado, uma ajuda", revela Vctor Lozano fazendo graça sobre os CDs que vendem nos ônibus.

Victor Lozano sempre esteve em contato direto com o transporte coletivo na Bolívia, seu país de origem. Quando tinha 30 anos, trabalhou como motorista de ônibus conduzindo os passageiros aos seus destinos. Hoje, na faixa dos 45, ele ainda o faz, mas de maneira diferenciada. Em vez de dirigir o automóvel, conduz os ouvidos de cada pessoa que espera dentro do ônibus.

Sua estrada como “músico de ônibus” começou quando a empresa de coletivos em que trabalhava quebrou. Desde então, viu sua vida resumida a quase nada. Sem emprego e dinheiro, não imaginava que sua trajetória iria voltar para o mesmo ciclo de antes, exceto por um diferencial importante: não dirigia mais um  ônibus, mas embalava o som dos trajetos e fazia algo prazeroso sendo músico, embora, para ele, as duas funções o satisfaria de forma similar. “Acho que poderia ser as duas coisas. Ser motorista de manhã e depois trabalhar como músico”, afirmou o boliviano.

O som chama a todos com um ritmo regional muito envolvente. É levado por um sicus, espécie de flauta, típico andino, e um instrumento semelhante ao violão, denominado charango. Para acompanhar a música, o filho, Erick Lozano, toca um bombo. Cria-se um clima confortável e irreverente, despertando os sonolentos e chamando a atenção dos dispersos. Uma das músicas tocadas, tornerai tornero, típica canção italiana, foi recebida com emoção. “Isso que eles fazem é mágico”, afirmou uma das passageiras que acompanharam os músicos em um trajeto.

Victor Lozano começou a tocar em 1995 quando uns amigos o chamaram para ir a Argentina trabalhar com um grupo musical. Ao conhecer Assunção, capital do Paraguai, o convidaram para tocar no Brasil. Conheceu inúmeras cidades brasileiras até chegar a Brasília, onde vive há cinco anos. O músico pai de família também já tocou em diversos países da América latina como: Chile, Argentina, Equador, Colômbia, Paraguai, Peru e Brasil. Deixou esposa, quatro filhos e vários netos para trás em busca do sonho de seguir andando com a música. A família, no entanto, sempre o incentivou a não desistir. “Acham que aqui no Brasil um homem pode viver da música”, revela o filho dizendo o que os familiares pensam sobre o ramo musical no país. Os dois enfatizam, ainda, como Brasília é receptiva ao trabalho artístico que realizam. “É um povo muito hospitaleiro. Gosto bastante das pessoas, quando vêem que são de fora eles ajudam muito” diz Victor.

Assista a performance dos artistas aqui:

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Um rock diferente

"Eu sou movido à música e o tempo todo estou escutando um som", confessa o motorista mostrando a capa do seu primeiro CD.

Pop Rock gospel, esse é o som produzido por Maicon Figueredo (29), integrante da Banda gospel Hevron. O músico, além de trabalhar como motorista no Ministério do Meio Ambiente (MMA), realiza aos finais de semana, apresentações da banda religiosa tocando guitarra.

Seu interesse pela musica começou aos 13 anos, ouvindo grandes artistas do rock como Gun’s N Roses e Metállica. Seu pai o presenteou com sua primeira guitarra e, desde então seu interesse pela música foi crescendo cada vez mais. Maicon, como simplesmente prefere ser chamado, passou a ter aulas de música para dominar o instrumento e tocar pelas casas de shows.

A participação na banda Lady Jane deu inicio a carreira como guitarrista. A banda era voltada para o rock e já vinha conquistando um público cativo na década de 90 em Brasília. Cerca de três anos, a banda se desfez por haver desentendimentos entre os integrantes. “A gente optou por mudar o trabalho. Conciliar banda é um trabalho! É como se fosse um casamento, têm que se dar muito bem com as pessoas, e chegou um tempo que a galera já não estava se dando bem”, justifica o músico sobre o fim da antiga banda.

Já o ingresso na vertente religiosa da música, se deu por problemas com a bebida, que o fez passar por alguns constrangimentos. Maicon diz que bebia muito quando tocava em bares e casas de show. Estava cada vez mais perto de atingir o sucesso musical com sua banda e se sentir mais perto da fama, a ponto de esquecer o principal motivo por estar lá: a música. Ele não se via mais diante de si próprio, já não era o mesmo. Para sanar esse problema, percebeu que precisava de ajuda, e a encontrou na Igreja. “Eu tinha problemas com álcool. Foi o motivo de eu procurar a força maior, que é Deus, para que eu pudesse mudar minha vida”, confessa. Hoje ele é integrante da banda Hevron, grupo religioso que usa as músicas para pregar a palavra de Deus.

Como motorista e musico aos finais de semana, ele diz que apesar de ser corrido, é gratificante fazer o que ama. “O objetivo é chegar a viver com musica”, diz o músico, mostrando o primeiro CD gravado pela banda com o titulo Hevron – Filhos da Luz, que esta sendo produzido em São Paulo e terá seu lançamento no dia 30 de Novembro, na Avenida central do Novo Gama-DF.

Escute a performance da banda:

Contato:

Luiz de Pietro Vieira
telefone: (61) 33171032
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Alan Cruz
Telefone: (61) 96085113
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Victor Lozano e Erik Lozano
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Maicon Figueredo Lima
Telefones: (61) 91589310 – (61) 36299432

Google images - Sem fonte oficial

Depois de tantos problemas a cerca das negociações para a 28º Feira do livro de Brasília, ela finalmente vai acontecer. Não se sabe se foi alguma coincidência, mas o governo esteve, mais uma vez, atrasando o sonho de um evento realmente digno para os moradores de Brasília e entorno. Com R$1,2 milhão entregue pelo governo aos organizadores, pouco se poderia fazer para que esse ano a Feira fosse diferente do que vinha acontecendo nos últimos anos. A proposta era realizar um projeto maior, com capacidade e alcance para mais pessoas. Seria um presente ao primeiro ano em que se comemora oficialmente a leitura no país (12 de outubro, agora dia nacional da leitura).

Para os ansiosos fãs da leitura, já não se cogitava mais a ideia para este ano. Passou agosto e nenhum sinal da divulgação do evento. Desde então, a Feira havia sido cancelada pelo menos três vezes. As dificuldades para se conseguir dinheiro suficiente foram tantas que o projeto já estava se tornando motivo de piada. O valor estimado era de R$ 3 milhões, mas a soma final não chegou nem a metade desse ideal. Além disso, o constrangimento de ter que cancelar e remarcar várias vezes com os artistas convidados, de levar e tirar a esperança de todos os envolvidos no processo (desde os próprios organizadores até a população, que já se acostumou com a tradição do evento,) fez com que muita gente se decepcionasse com um dos poucos apoios a leitura que temos na cidade.

Entre altos e baixos, mesmo assim, haverá a Feira do Livro este ano e está prevista para amanhã (20), com duração de nove dias, na área externa do Pátio Brasil Shopping. O homenageado da vez é o escritor Ziraldo, para aproveitar que o dia nacional da leitura passou a ser na mesma data em que se comemora o dia das crianças. A ideia é incentivar a leitura infantil e popularizar a comemoração da leitura nesse dia.

Além do escritor, também foi chamado o poeta Reynaldo Jardim e outros artistas como Chico César e Moraes Moreira para participação em debates com o público. E ainda, José Celso Martinez Corrêa e Plínio Mosca (que apresentará a peça A resistível ascensão de Arturo Ui), na série literatura e dramaturgia. O tradicional “Café literário” também receberá convidados e realizará lançamentos de livros e apresentações musicais e teatrais.

O movimento antropofágico em questão

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Abaporu (1928) - Tarcila do Amaral - Uma das obras mais características do movimento antropofágico, no qual Tarcila inova em técnica.

A antropofagia vem da ideia de canibalismo. Para alguns indígenas, o termo tem um significado místico em que, no ritual, come-se uma parte do corpo de outra pessoa para adquirir suas qualidades. Já no manifesto antropofágico, esse pensamento é usado como uma metáfora para o que os vanguardistas brasileiros da época queriam propor. Como em um “canibalismo cultural”, os brasileiros criariam sua própria identidade, a partir de uma adaptação das culturas estrangeiras (principalmente a européia) à realidade brasileira. Tem por base como uma estrutura de pensamento a tradição de adquirir alguma qualidade, como coragem e força do “ser comido”. O manifesto antropófago faz uma interpretação metafórica do canibalismo, sem o sentido pejorativo. Portanto eles dizem que devemos pegar as características positivas das outras culturas, estando com os olhos para o exterior ao mesmo tempo em que protesta por uma cultura própria. O trocadilho “Tupi, or not tupi that is the question” é muito interessante, porque satiriza a verdadeira questão (“ser ou não ser?”). Neste caso, eles fizeram uma comparação usando a língua estrangeira para indagar a própria cultura, a raiz do Brasil. O manifesto contrapõe o olhar cultural brasileiro para o exterior ao mesmo tempo em que protesta por uma cultura própria. Não se sabia aonde a sociedade estava indo com tanta influência nem o que isso significava, pois não seguia rumos próprios. Era preciso questionar o que estava sendo implantado ali.

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O homem amarelo II (1915) -Anita Malfatti

Para surgir uma nova cultura é preciso uma nova lei (“A única lei do mundo”). Assim, como numa sociedade comum, para começar um novo processo, uma nova decisão (de forma legal) é preciso aprovação de uma lei. A lei é a expressão regente do individualismo (o que o cidadão pode fazer), de todos os coletivismos (o que toda sociedade tem como regimento).

O movimento antropofágico deixou claro como a elite brasileira da época se submetia ao que era “de fora”, nem mesmo questionava se aquilo era mesmo o que devia ser feito, se aquela cultura não era errada por não ser “nativa”. Criava uma perspectiva superior ao externo e acreditava que “lá” estava o sublime. Dessa maneira, enquanto essa idealização do exterior acontecia, os vanguardistas tentavam discursar uma cultura que venerasse o que era brasileiro. Na semana de 22, muitas pessoas criticaram a atitude dos intelectuais vanguardistas, mas hoje, aplaudem a herança cultural que nos foi permitida. Aquela visão de cultura não era antes vista por nossa sociedade, já que era uma concepção, de certo modo, muito a frente da realidade vivida naquela época. Hoje é visível as mudanças que se pretendiam naquele tempo. Tem-se uma cultura enraizada, fixa e extremamente brasileira.

Por Isabella Corrêa, Sílvia Mendonça, Giulia Batelli e Jefferson Bispo

A Ella

Ella Fitzgerald & Count Basie 12

Uma das vozes mais consagradas do jazz, Ella Fitzgerald é conhecida pelas improvisações e contrastes entre timbres suaves e potentes, além de um carisma convidativo no palco.

Sem estudo musical algum, tentou ser dançarina, ainda jovem, nos concursos estadunidenses da época. Aprendeu na Igreja em que frequentava, os primeiros passos da música e descobriu um talento que barraria as paradas de sucesso. Aos 14 anos apenas, a mãe faleceu e, dessa forma, teve de ganhar a vida cantando e dançando nas ruas a troco de gorjetas. Por sorte, ao se apresentar em um show de calouros aos 16 anos, no Teatro Apollo (Nova York), provou que tinha potencial para a música. Pelo nervosismo, suas pernas não “puderam” mexer e ela preferiu cantar, mostrando que era isso (e não a dança ) que sabia fazer realmente. Embora houvesse muito preconceito por a considerarem “feia”, foi aplaudida e reconhecida como um verdadeiro talento musical.

ella_fitzgerald Chick Webb (bandleader, cantor e músico de jazz), ao vê-la cantar nas ruas, levou-a para fazer um teste. Não a aceitaram pelo mesmo motivo estético, mas no momento em que a jovem começou a cantar, o contrato foi garantido.

Em poucos anos se tornou a dama do Jazz. A voz suave e angelical encantava o público, ao mesmo tempo surpreendido por um timbre forte e cheio de presença.  Costumavam dizer que cantava como um músico. Além de ter um ótimo aparato para “imitar” instrumentos musicais. Ella sabia manejar o desenrolar de uma música e controlar sua potência. Sem contar, é claro, pela afinação impecável.

Sem questionar se ela foi ou não a verdadeira rainha do Jazz, teve, inegavelmente, uma carreira rica e brilhante, ao lado dos principais músicos jazzistas da época. Fez participações com Louis Armstrong, Duke Ellington, Oscar Peterson, Count Basie, Jerome Kern, George Gershwin, Cole Porter, Joe Pass e Tom Jobim.

Sua contribuição para o Jazz foi chegando ao fim com a diabetes, doença que levou a amputação das pernas, enfraquecimento da visão e, mais tarde, a morte. Ella Fitzgerald nasceu no dia 25 de Abril de 1917 e faleceu em 14 de Junho de 1996 deixando a sua música como uma bela lembrança.

Chick Webb (bandleader, cantor e músico de jazz), ao vê-la cantar nas ruas, levou-a para fazer um teste. Não a aceitaram pelo mesmo motivo estético, mas no momento em que a jovem começou a cantar, o contrato foi garantido.

Em poucos anos se tornou a dama do Jazz. A voz suave e angelical encantava o público, ao mesmo tempo surpreendido por um timbre forte e cheio de presença.  Costumavam dizer que cantava como um músico. Além de ter um ótimo aparato para “imitar” instrumentos musicais. Ella sabia manejar o desenrolar de uma música e controlar sua potência. Sem contar, é claro, pela afinação impecável.

Sem questionar se ela foi ou não a verdadeira rainha do Jazz, teve, inegavelmente, uma carreira rica e brilhante, ao lado dos principais músicos jazzistas da época. Fez participações com Louis Armstrong, Duke Ellington, Oscar Peterson, Count Basie,  , Jerome Kern, George Gershwin, Cole Porter, Joe Pass e Tom Jobim.

Sua contribuição para o Jazz foi chegando ao fim com a diabetes, doença que levou a amputação das pernas, enfraquecimento da visão e, mais tarde, a morte. Ella Fitzgerald nasceu no dia 25 de Abril de 1917 e faleceu em 14 de Junho de 1996 deixando a sua música como uma bela lembrança.

Sem fonte, infelizmente.

Sem fonte, infelizmente.

Assim afirma o Secretário da Cultura, Silvestre Gorgulho, sobre o boato que semeia Brasília em relação a Feira do Livro deste ano. Se o evento irá acontecer ou não, é uma questão que até agora está gerando suspense na população local. A Feira, já tradicional na cidade, está em sua 28ª edição  com estimativa de aproximadamente 700 mil leitores.

Sem local definido, os responsáveis pela realização do evento (além de Gorgulho, o secretário adjunto, Beto Sales e representantes da Câmara do Livro) se encontraram ontem para discutir o seu destino. “Estamos querendo uma área coberta e pode ser no Conjunto Nacional, foyer do Teatro Nacional e Biblioteca Nacional. Está tudo em volta da rodoviária, estação do metrô o que facilita para a popualação”, conclui Gorgulho.

Se no primeiro ano em que comemoramos, oficialmente, o dia nacional da leitura, não tiver a tradicional Feira do Livro na Capital do país, isso será, de certa forma, uma contradição ao sentimento de incentivo ascendido (aparentemente) ao público leitor. Se o Brasil lê mais, isso já é outra questão, mas uma coisa é certa: a tentativa de fazê-lo um país de pessoas não tão ignorantes assim (quanto a herança de um povo que não tem interesse pelo “culto”) não deve parar no meio do caminho. A visão de que nosso país não tem interesse cultural, deve ser esquecida, assim como nossos antepassados, que trouxeram essa “mania” de que ler não nos acrescenta em nada. As pessoas precisam cobrar das autoridades e entidades responsáveis, para que o evento seja lembrado e enriquecido a cada ano. “É um desafio para a Câmara do Livro, para a Secretaria de Cultura, para mim, pessoalmente, para a sociedade brasiliense, enfim, para Brasília”, confessa o secretário.

“Palavras mudam o mundo”, assim foi a proposta mantida pela 27ª edição do evento literário. E assim merecemos, ao menos, acreditar que pode ser realmente uma verdade.