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Peça "O invisível" fotos: Lenise Pinheiro

Peça "O invisível" fotos: Lenise Pinheiro

A peça teatral “O invisível”, de direção de Maucir Campanholi e texto de Samir yazbek, estreou em 2006, no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (SP). Aborda através de um elemento dialógico, a questão da falta de percepção ao próximo. Na fábula, dois personagens fazem a trama amadurecer, o senhor que se torna invisível e se vê a margem da sociedade pela sua dificuldade em encontrar alguém que perceba a sua imagem,  interpretado pelo ator Helio Cícero. O jovem publicitário, encenado por Duda mattos,  acredita que a única forma de vencer na vida é passando por cima dos outros, não existindo quem realmente sinta empatia pelo outro no mundo onde é “cada um por si”.

Em um parque comum de cidade grande, o homem que se diz invisível pede ajuda a um jovem publicitário, afirmando ser  este o único que pode enxergá-lo. Ele conta sua história ao mesmo tempo em que se questiona sobre a sua individualidade. Durante o diálogo, revela que foi se afastando das pessoas e desaparecendo pouco a pouco, até perceber que estava invisível. Acreditava veemente na capacidade das pessoas em ajudar o próximo e pediu ao publicitário que o fizesse entregando uma carta ao filho. Já o jovem, recusou a proposta logo na primeira oportunidade e acusou o invisível de se aproveitar da condição de ser visto apenas por ele.

A discussão cresce de tal forma que os papéis se invertem, o publicitário se vê no mesmo caminho do senhor, pois fugia das questões em que envolviam relações interpessoais sem se importar com as consequências do isolamento.

A peça se baseia em dois aspectos fundamentais do teatro, a palavra e o ator. Esses elementos fazem com que o diálogo seja o grande patamar da história, não levando a importância para ações e acontecimentos. A discussão dos personagens sobre a dificuldade de relacionamento e percepção do outro leva ao espectador a opção de defender o seu pensamento e refletir sobre ele. A divergência de opiniões entre o senhor invisível e o jovem publicitário cria o clímax que leva ao questionamento. Um mostra não se importar com o próximo ,enquanto outro, ao se deparar frente a frente com a dor da indiferença, tenta passar para o jovem a importância de se perceber quem está ao lado.

O espetáculo entra em choque com diversas questões atuais, entre elas, a essencialidade de olhar para si mesmo num mundo onde a pressa e a falta de empatia tomam conta dos dilemas pessoais do cotidiano.

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